
Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes
Professor de Cirurgia — FAMED UFU · Certificação em Cirurgia Robótica (Intuitive / Hospital Albert Einstein) · Atende nos Hospitais UMC e Mater Dei Santa Genoveva, Uberlândia-MG · (34) 99341-0915
A endometriose é a presença, fora do útero, de tecido semelhante ao endométrio — a camada que reveste o útero por dentro. Quando esse tecido forma nódulos que infiltram os órgãos, fala-se em endometriose profunda; quando o nódulo atinge a camada muscular da parede do intestino, trata-se de endometriose intestinal (lesões apenas na superfície do intestino são consideradas doença peritoneal). Estima-se que até 37% das mulheres com endometriose profunda tenham acometimento intestinal, e o segmento mais atingido é o retossigmoide, seguido do intestino delgado distal. Numa série nacional francesa de 1.135 mulheres operadas por endometriose profunda do reto e do sigmoide, a doença atingia só o reto em 56,8% dos casos, o reto e o sigmoide em 36,3% e só o sigmoide em 6,9%; havia também acometimento do ceco em 6,6% e do intestino delgado em 4,7%.

Os sintomas costumam acompanhar o ciclo menstrual: dor ao evacuar (disquezia), diarreia ou intestino preso no período, distensão e, em alguns casos, sangramento pelo ânus — somados à cólica intensa e à dor na relação sexual comuns à endometriose profunda. Num centro brasileiro de referência, a dor ao evacuar e a diarreia no período menstrual se associaram a maior probabilidade de indicação de ressecção segmentar do intestino, em que as lesões eram maiores (mediana de 3,1 cm, contra 1,6 cm no shaving). O mapeamento é feito por imagem com protocolo próprio: numa metanálise de 30 estudos (3.374 mulheres), o ultrassom transvaginal teve sensibilidade de 89% e especificidade de 97% para a endometriose do retossigmoide, e a ressonância, 86% e 96% — com a ressalva de que os estudos eram heterogêneos. Com preparo intestinal, o ultrassom alcança 93% e 94% na metanálise de 2024, e num estudo brasileiro com 194 pacientes com suspeita de endometriose profunda previu a infiltração da submucosa ou da mucosa com sensibilidade de 83% e especificidade de 94%, informação que ajuda a escolher a técnica antes da cirurgia. A colonoscopia avalia a mucosa — a camada mais interna — e por isso não é o exame que mapeia a endometriose; ela entra quando é preciso afastar outras doenças do intestino.
Nem toda endometriose intestinal precisa de cirurgia. O tratamento inicial costuma ser hormonal: num estudo brasileiro com 238 mulheres com endometriose do retossigmoide tratadas primeiro com hormônio, 60,1% mantiveram o tratamento clínico, e as complicações maiores ocorreram em 9,2% do grupo operado contra 0,6% do grupo clínico. A cirurgia fica reservada para a dor que não responde ao tratamento hormonal, o crescimento da lesão e a suspeita de suboclusão intestinal — e, quando há infertilidade, a decisão é tomada com a medicina reprodutiva. A diretriz europeia da ESHRE (2022) considera que a remoção cirúrgica da endometriose profunda pode reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida (recomendação fraca) e recomenda, como boa prática, encaminhar a mulher com endometriose profunda a um centro com experiência na doença. Os estudos que compararam a mesma paciente antes e depois da cirurgia mostram melhora: numa revisão que combinou 17 estudos, as operadas por endometriose intestinal melhoraram nos 8 domínios de qualidade de vida avaliados, sobretudo no domínio dor; e, num estudo prospectivo com 175 mulheres submetidas a ressecção intestinal, todos os parâmetros de dor pélvica caíram, com a maior queda na dor ao evacuar — estudos sem grupo controle não operado.
O Dr. Solon Gonçalves é cirurgião do aparelho digestivo (RQE 60355) e cirurgião geral (RQE 44656) e realiza a cirurgia completa da endometriose profunda com acometimento intestinal — da excisão dos focos na pelve ao tempo intestinal, incluindo, quando indicadas, a histerectomia e a salpingo-ooforectomia bilateral —, por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, nos Hospitais UMC e Mater Dei Santa Genoveva, em Uberlândia-MG.
Agendar uma avaliaçãoDa pelve ao intestino, na mesma operação.
As recomendações conjuntas de 2020 das sociedades ESGE, ESHRE e WES (World Endometriosis Society) para a cirurgia da endometriose profunda orientam montar a equipe conforme o procedimento planejado: o ginecologista lidera, e um cirurgião do intestino, um urologista ou outros especialistas podem precisar participar; uma reunião multidisciplinar antes da operação pode ser útil. Se houver previsão de estomia, isso deve ser discutido extensamente com a paciente, e o local pode ser marcado antes da cirurgia.
O Dr. Solon realiza a operação inteira: a excisão dos nódulos de endometriose profunda na pelve — ligamentos uterossacros, septo retovaginal, parede vaginal e peritônio —, a histerectomia e a salpingo-ooforectomia bilateral quando indicadas, e o tempo intestinal: a escolha, a partir da imagem e do achado operatório, entre shaving, ressecção discoide ou ressecção segmentar; a sutura do reto ou a anastomose; a avaliação da necessidade de estomia de proteção; e o exame de todo o intestino — as mesmas recomendações orientam inspecionar o apêndice, o intestino delgado, o ceco e a válvula ileocecal, porque a doença é multifocal —, além do acompanhamento da recuperação. Quando ureter ou bexiga estão envolvidos, o urologista se soma à equipe.
Nos Estados Unidos, num banco nacional com 745 ressecções colorretais por endometriose, 82,3% foram feitas por cirurgiões gerais ou colorretais e 17,7% por ginecologistas; após ajuste, a especialidade de quem operou não se associou a complicações maiores, e os autores sugerem considerar uma equipe multidisciplinar ou dupla quando há ressecção intestinal. No ensaio randomizado ENDORE, as equipes multidisciplinares reuniam três cirurgiões ginecológicos, cada um com pelo menos 120 cirurgias de endometriose colorretal, e cinco cirurgiões gerais com pelo menos 5 anos de experiência em cirurgia colorretal, que fizeram todos os procedimentos com sutura intestinal; o shaving do reto era feito pelo cirurgião ginecológico sozinho.
O que pode ser feito na mesma operação.
A extensão da cirurgia é definida antes, com a paciente, a partir do mapeamento por imagem, da idade, do desejo de gestar e dos sintomas. Quando indicados, os procedimentos abaixo são feitos pelo Dr. Solon na mesma operação do tempo intestinal; quando ureter ou bexiga estão acometidos, o urologista participa da cirurgia.
Histerectomia
A retirada do útero, junto com a remoção de todas as lesões visíveis, pode ser considerada, segundo a ESHRE, em quem não deseja mais gestar e não respondeu a tratamentos mais conservadores — e a paciente deve saber que ela não necessariamente cura os sintomas nem a doença. Em 7 anos, ficaram livres de nova cirurgia 77,0% das operadas com histerectomia e preservação dos ovários, contra 44,6% após excisão local com preservação dos ovários. Associada a uma ressecção colorretal, porém, a histerectomia foi fator independente de complicação maior (OR ajustado 2,59) num banco americano de 755 cirurgias.
Salpingo-ooforectomia bilateral
A retirada das tubas e dos ovários reduz a recidiva — numa série de 138 histerectomias por endometriose, quem manteve tecido ovariano teve 6,1 vezes mais risco de dor recorrente — mas induz menopausa cirúrgica: no Nurses' Health Study, a retirada dos ovários na histerectomia por doença benigna associou-se a maior mortalidade total (HR 1,12) e a mais doença coronariana. A ESHRE orienta pesar as consequências de longo prazo da menopausa precoce e a possível necessidade de reposição hormonal; a decisão é individual e tomada com a paciente antes da cirurgia.
Apendicectomia
A endometriose atinge o apêndice com frequência: estava presente em 39,0% das mulheres com endometriose profunda que tiveram o apêndice retirado durante cirurgia ginecológica, contra 11,6% nas com doença superficial, e em 35,8% de 67 pacientes com ressecção intestinal e apendicectomia de rotina, sem complicações atribuídas à apendicectomia. A retirada é discutida caso a caso; o apêndice com aspecto anormal é retirado.
Excisão peritoneal e peritoniectomia
Os focos no peritônio são removidos junto com os nódulos profundos. A ESHRE considera a excisão, em vez da cauterização (ablação), para reduzir a dor (recomendação fraca, evidência baixa); na doença mínima a leve, a metanálise de ensaios randomizados não encontrou diferença de dor entre as duas. A peritoniectomia sistemática do compartimento posterior foi avaliada num estudo piloto de 54 pacientes, sem grupo de comparação — e os próprios autores pedem um ensaio randomizado.
Ureter e bexiga
Num hospital universitário, 52,6% de 213 pacientes com endometriose profunda tinham acometimento do trato urinário; quando o ureter estava acometido, os sintomas eram pouco específicos. A endometriose do ureter pode ser silenciosa e, diagnosticada tarde, levar à perda de função do rim; o tratamento cirúrgico vai da liberação do ureter (ureterólise) à ressecção com anastomose ou reimplante, com a participação do urologista.
Vagina
Quando o nódulo atravessa o septo entre a vagina e o reto, a excisão inclui a parede vaginal — 33% das cirurgias na série nacional francesa. Com suturas simultâneas na vagina e no reto, a fístula retovaginal ocorreu em 8,5% de 363 pacientes; nesse estudo, o centro que fazia estomia de proteção com mais frequência (71,4% x 30,3%) não teve fístula significativamente menor, e o fator que mais pesou foi a sutura retal a até 8 cm do ânus. As recomendações ESGE/ESHRE/WES admitem estomia temporária nesse cenário, e a decisão é individual.
Shaving, disco ou ressecção segmentar.
A técnica é escolhida pela profundidade, pelo tamanho e pelo número de nódulos, pela distância até o ânus e pelo achado operatório — e as três não são intercambiáveis: as taxas abaixo refletem lesões de tamanhos diferentes. As recomendações ESGE/ESHRE/WES orientam que a lesão restrita à serosa pode ser tratada com ressecção superficial; a que atinge a camada muscular exige remoção parcial ou de espessura total, por shaving, ressecção discoide ou ressecção segmentar.
O ensaio randomizado ENDORE (60 pacientes com nódulos retais de mais de 20 mm, até 15 cm do ânus) não mostrou diferença estatisticamente significativa em função intestinal e urinária entre a cirurgia conservadora — shaving ou disco — e a ressecção segmentar aos 2 anos (ao menos um problema funcional em 48,1% x 39,4%), e a segmentar se associou a mais estenose; no seguimento de 10 anos, também não houve diferença significativa na recidiva retal (7,4% x 3,6%) nem na reoperação. É um estudo pequeno, com intervalos de confiança largos — por isso a escolha é individual.
| Técnica | O que é | Quando se usa | Complicações publicadas | Recidiva |
|---|---|---|---|---|
| Shaving | Raspagem do nódulo da parede do intestino, sem abrir a luz intestinal | Nódulos mais superficiais | Taxa média de 2,2%; menos fístula retovaginal que o disco (OR 0,19) e que a segmentar (OR 0,26); fístula retovaginal de 1,3% na série francesa | A maior das três (OR 5,53 em relação à segmentar) |
| Ressecção discoide (disco) | Retirada de um disco de espessura total da parede, com sutura do orifício | Nódulos de menor extensão que atingem as camadas profundas | Taxa média de 9,7%; fístula retovaginal de 3,6% na série francesa; menos estenose que a segmentar (OR 0,15) | Semelhante à da ressecção segmentar |
| Ressecção segmentar | Retirada do trecho do intestino com o nódulo e emenda das extremidades (anastomose) | Nódulos maiores, múltiplos ou que estreitam o intestino | Taxa média de 9,9%; fístula retovaginal de 3,9%; síndrome da ressecção anterior baixa em 5,6% (4,0% na forma maior); mais disfunção urinária que as técnicas conservadoras (OR 0,37 a favor destas) | Menor que a do shaving; semelhante à do disco |
No celular, arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.
O papel da robótica: onde ajuda e onde não mostrou vantagem.
Toda a cirurgia da endometriose intestinal pode ser feita por videolaparoscopia ou por cirurgia robótica — o que muda é o instrumento, não a técnica intestinal. Na série nacional francesa, a laparoscopia convencional foi usada em 82,2% das cirurgias, a robótica em 9,7% e a via aberta em 8,1%. A plataforma robótica oferece visão tridimensional ampliada, instrumentos articulados e filtragem de tremor, o que pode facilitar a dissecção na pelve profunda — entre o reto, a vagina e os ureteres — e as suturas. As recomendações ESGE/ESHRE/WES registram exatamente isso: os instrumentos robóticos podem facilitar etapas difíceis, mas vários estudos mostraram resultados equivalentes, e não superiores, aos da laparoscopia convencional na endometriose profunda.
O único ensaio randomizado, o LAROSE, comparou as duas vias em mulheres com suspeita de endometriose candidatas a cirurgia (não especificamente intestinal): o tempo operatório foi semelhante (106,6 x 101,6 minutos) e não houve diferença em sangramento, complicações nem conversão para cirurgia aberta. Na metanálise específica da endometriose colorretal, de 2025, a robótica levou em média cerca de 21,5 minutos a mais, sem diferença em perda sanguínea, internação, conversão ou taxa global de complicações — e os autores consideram a laparoscopia o padrão-ouro, com a robótica como alternativa em potencial. Na metanálise mais recente, de 2026, a laparoscopia foi 22,2 minutos mais rápida no subgrupo intestinal (apenas 2 estudos).
Um sinal a favor da robótica apareceu na função urinária: numa metanálise de 10 estudos (728 pacientes) da cirurgia da endometriose colorretal, a disfunção miccional pós-operatória foi menos frequente após a robótica (4,4% x 13,3%) — um dado de associação, que precisa de confirmação em estudos randomizados. O custo é maior: num centro de referência, o material descartável da ressecção colorretal custou 14% a mais com o robô. Para o cirurgião, há ganho de ergonomia, com menor carga física em parte da musculatura e menor carga cognitiva numa revisão de 10 estudos (não específica de endometriose), com evidência de certeza muito baixa e sem desfecho demonstrado para a paciente.
Na prática, o Dr. Solon realiza as duas vias e discute a escolha com a equipe e com a paciente, caso a caso, a partir da extensão da doença, da necessidade de dissecção pélvica profunda e da experiência da equipe — sem apresentar o robô como solução universal.
O que esperar antes e depois da cirurgia.
Preparo pré-operatório
O planejamento começa pelo mapeamento — ultrassom transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética com protocolo para endometriose —, que mostra o tamanho e o número de nódulos, a camada da parede intestinal atingida, a distância até o ânus e outros focos no ureter, na bexiga ou no apêndice. A partir dele, o Dr. Solon define a extensão da cirurgia — inclusive se há indicação de histerectomia ou de retirada das tubas e dos ovários — e discute com a paciente a técnica intestinal provável e a possibilidade de estomia de proteção. A ESHRE recomenda não usar tratamento hormonal antes da cirurgia com o objetivo de melhorar o resultado sobre a dor. O preparo inclui exames de sangue, avaliação anestésica, jejum e, em geral, preparo intestinal.
Recuperação e pós-operatório
A recuperação depende da técnica e da extensão: após o shaving, a internação costuma ser mais curta; após o disco e a ressecção segmentar, a dieta é reintroduzida de forma progressiva e a paciente é observada para sinais de fístula, que podem surgir nas primeiras semanas. Alterações transitórias do hábito intestinal e da micção são acompanhadas — na série francesa, 8,6% precisaram de cateterismo vesical após a recuperação ou tinham resíduo urinário aumentado. Se houver estomia de proteção, ela é fechada numa segunda operação, depois de confirmada a cicatrização. O tratamento hormonal após a cirurgia pode ser oferecido a quem não deseja gestar de imediato: numa metanálise com mulheres na pré-menopausa que preservaram ao menos um ovário, a supressão hormonal iniciada até 6 semanas após a cirurgia reduziu o risco de recidiva (RR 0,41).
Uma cirurgia de grande porte, com riscos conhecidos.
Os riscos variam com a técnica e com a extensão da doença. Os números abaixo vêm das séries e metanálises citadas nas referências e são discutidos com a paciente antes da operação.
- Fístula retovaginal — comunicação entre o reto e a vagina: 2,7% na série francesa (1,3% após shaving, 3,6% após disco e 3,9% após ressecção segmentar); 8,5% quando a excisão exige suturas simultâneas na vagina e no reto, com chance 3,4 vezes maior quando a sutura retal fica a até 8 cm do ânus. O reparo pode exigir novas cirurgias.
- Fístula ou deiscência intestinal — numa série de 1.102 pacientes, a fístula intestinal (retovaginal ou vazamento) ocorreu em 3,4%, e abrir a luz do reto aumentou o risco em relação ao shaving (OR ajustado 6,8 no disco e 4,8 na ressecção segmentar); a deiscência de anastomose foi de 0,8% do total de casos na série francesa.
- Estomia de proteção — temporária, feita em 19,1% (série francesa) a 21,8% (série de 1.102 pacientes) para proteger suturas baixas; é fechada numa segunda cirurgia.
- Disfunção urinária — necessidade de cateterismo após a recuperação ou resíduo urinário aumentado em 8,6% na série francesa; menos frequente nas técnicas conservadoras do que na ressecção segmentar (OR 0,37).
- Alterações do hábito intestinal — após a ressecção segmentar, síndrome da ressecção anterior baixa (urgência e evacuações fracionadas) em 5,6% de 124 pacientes (4,0% na forma maior); a estenose da anastomose é menos frequente após o disco do que após a segmentar (OR 0,15).
- Abscesso pélvico — 3,4% na série francesa.
- Complicações maiores no conjunto — 13,5% em 755 ressecções colorretais por endometriose num banco americano, mais frequentes na cirurgia aberta (20,4%) do que na laparoscópica (9,9%) e quando havia histerectomia associada; na série francesa de 1.135 pacientes houve 1 óbito (0,1%).
- Recidiva — maior após o shaving (OR 5,53 em relação à segmentar); 32,7% das pacientes do ENDORE passaram por nova cirurgia relacionada à endometriose em 10 anos.
Dúvidas comuns sobre esse procedimento.
Toda endometriose intestinal precisa de cirurgia?+
Não. O tratamento inicial costuma ser hormonal, e muitas pacientes ficam bem com ele: num estudo brasileiro com 238 mulheres com endometriose do retossigmoide, 60,1% mantiveram o tratamento clínico. A cirurgia é indicada quando a dor não responde ao hormônio, quando a lesão cresce ou quando há suspeita de suboclusão intestinal; na infertilidade, a decisão é tomada com a medicina reprodutiva.
Qual médico trata e quem opera a endometriose intestinal?+
O diagnóstico e o tratamento clínico da endometriose costumam ser conduzidos pelo ginecologista. A cirurgia da endometriose profunda com acometimento do intestino pode ser feita pelo ginecologista com experiência em endometriose profunda, pelo cirurgião do aparelho digestivo ou pelo coloproctologista, sozinhos ou em equipe: as recomendações ESGE/ESHRE/WES orientam montar a equipe conforme o procedimento planejado, e num banco americano de 745 ressecções colorretais por endometriose a especialidade de quem operou não se associou a complicações maiores. O Dr. Solon, cirurgião do aparelho digestivo, realiza a cirurgia completa, incluindo a histerectomia e a salpingo-ooforectomia bilateral quando indicadas; se ureter ou bexiga estão envolvidos, o urologista participa.
Vou precisar de bolsa de colostomia?+
Na maioria das cirurgias, não. Quando é feita, a estomia é de proteção e temporária — em 19,1% a 21,8% das pacientes nas grandes séries — e fechada numa segunda operação. Ela é mais provável quando a sutura do reto fica muito baixa ou quando há suturas simultâneas na vagina e no reto. A possibilidade é discutida antes da cirurgia, e o local pode ser marcado com antecedência.
Endometriose intestinal aparece na colonoscopia? Qual exame detecta?+
O exame que mapeia a endometriose intestinal é o ultrassom transvaginal ou a ressonância magnética com protocolo para endometriose. Numa metanálise de 30 estudos, o ultrassom transvaginal teve sensibilidade de 89% e especificidade de 97%, e a ressonância, 86% e 96%; com preparo intestinal, o ultrassom chegou a 93% e 94% numa metanálise de 2024. A colonoscopia avalia a mucosa, a camada mais interna, e por isso não mapeia a doença; ela é usada quando é preciso afastar outras causas dos sintomas intestinais.
Endometriose intestinal é câncer?+
Não. A endometriose é uma doença benigna. Mas sintomas intestinais como sangramento e mudança do hábito intestinal precisam ser investigados, para afastar outras doenças do intestino — inclusive tumores — antes de serem atribuídos à endometriose.
Como é feita a cirurgia de endometriose no intestino?+
Por videolaparoscopia ou cirurgia robótica, com pequenas incisões. Na mesma operação, são retirados os focos de endometriose da pelve — e, quando indicados, o útero, as tubas e os ovários — e o intestino é tratado por uma de três técnicas: shaving (raspagem do nódulo da parede, sem abrir o intestino), ressecção discoide (retirada de um disco da parede, com sutura) ou ressecção segmentar (retirada do trecho do intestino com o nódulo e emenda das extremidades). A técnica depende do tamanho, da profundidade e do número de nódulos.
Shaving, disco ou ressecção segmentar: qual é melhor?+
Não há uma técnica melhor para todas. O shaving tem menos complicações (taxa média de 2,2%) e menos fístula retovaginal, mas maior recidiva; o disco e a ressecção segmentar têm mais complicações (9,7% e 9,9%) e menos recidiva. No ensaio randomizado ENDORE, a cirurgia conservadora e a ressecção segmentar não mostraram diferença estatisticamente significativa em função intestinal e urinária, nem em 2 nem em 10 anos. A escolha é feita para cada nódulo.
A cirurgia robótica é melhor para endometriose intestinal?+
Os estudos mostram resultados equivalentes aos da videolaparoscopia, e não superiores: no ensaio randomizado LAROSE não houve diferença em complicações nem em conversão, e nas metanálises da endometriose colorretal a robótica levou cerca de 20 minutos a mais, sem diferença em sangramento, internação ou complicações. Há um sinal favorável na função urinária (disfunção em 4,4% x 13,3%), ainda não confirmado em ensaio randomizado. A robótica pode facilitar a dissecção pélvica profunda; a escolha é feita caso a caso.
Útero e ovários podem ser retirados na mesma cirurgia?+
Podem, quando indicado — e o Dr. Solon realiza esses procedimentos na mesma operação do tempo intestinal, por vídeo ou robótica. A ESHRE considera a histerectomia em quem não deseja mais gestar e não respondeu a tratamentos mais conservadores, lembrando que ela não necessariamente cura a doença. A retirada dos ovários reduz a recidiva, mas induz menopausa cirúrgica, com consequências de longo prazo que precisam ser pesadas; associar a histerectomia a uma ressecção intestinal também aumenta o risco de complicação maior.
Por que retirar o apêndice na cirurgia de endometriose?+
Porque a endometriose atinge o apêndice com frequência: foi encontrada em 39,0% das mulheres com endometriose profunda que tiveram o apêndice retirado e em 35,8% das pacientes com ressecção intestinal e apendicectomia de rotina, sem complicações atribuídas a ela. As recomendações orientam inspecionar o apêndice em toda cirurgia de endometriose profunda; a retirada é discutida caso a caso.
A endometriose pode voltar depois da cirurgia?+
Pode. A recidiva é maior após o shaving do que após a ressecção segmentar, e no ENDORE 32,7% das pacientes passaram por nova cirurgia relacionada à endometriose em 10 anos. O tratamento hormonal após a cirurgia reduz o risco: numa metanálise com mulheres que preservaram ao menos um ovário, a supressão hormonal iniciada até 6 semanas após a cirurgia reduziu a recidiva (RR 0,41).
Depois da cirurgia é possível engravidar?+
Muitas pacientes engravidam. Numa metanálise de 48 estudos com 5.963 pacientes com endometriose intestinal, a taxa cumulativa de gestação após a cirurgia foi de 56%; no ENDORE, 85,3% das que desejavam engravidar conseguiram, a maioria de forma natural. A escolha entre cirurgia e reprodução assistida não deve ser automática: é individual e feita com a medicina reprodutiva.
A cirurgia de endometriose intestinal é perigosa?+
É uma cirurgia de grande porte, com riscos conhecidos e discutidos antes: as complicações maiores ocorreram em 13,5% de 755 ressecções colorretais num banco americano — 9,9% na via laparoscópica e 20,4% na aberta —, e na série francesa de 1.135 pacientes a fístula retovaginal foi de 2,7% e a deiscência de anastomose de 0,8% dos casos. A técnica e a via de acesso são escolhidas para equilibrar o controle da doença e esses riscos.
Quanto tempo dura a internação e a recuperação?+
Depende da extensão da cirurgia: a internação é mais curta após o shaving e mais longa após a ressecção discoide ou segmentar, em que a dieta é reintroduzida aos poucos. Num centro brasileiro de referência, com 76 pacientes, a internação foi de 2 dias sem ressecção segmentar e de 4 dias com ela. O retorno às atividades leves acontece de forma gradual nas semanas seguintes, e o esforço físico é liberado conforme a cicatrização. Se houver estomia de proteção, o fechamento é feito numa segunda cirurgia, programada.
Você opera pelo SUS?+
Este canal é do meu atendimento do consultório privado. Pelo SUS, o atendimento não passa pelo consultório: o único caminho para ser operado pelo SUS é procurar o posto de saúde ou a Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua residência, ser avaliado por um médico e, havendo indicação, ser inserido na fila de regulação do seu município. O cirurgião não escolhe a ordem de quem vai operar pelo SUS — a fila é seguida rigorosamente, conforme as regras do SUS. Sou professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia e opero pacientes pelo SUS no Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU), mas não é possível agendar seu atendimento direto comigo por estes sites ou contatos.
Estrutura hospitalar em Uberlândia-MG.
Hospital Mater Dei Santa Genoveva
Av. Vasconcelos Costa, 967 — Bairro Martins, Uberlândia-MG
Abrir no Google Maps →Hospital UMC
Rua Rafael Marino Neto, 600 — Bairro Jardim Karaíba, Uberlândia-MG
Abrir no Google Maps →Conteúdo revisado por Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes — CRM-MG 79366, RQE 60355 (Cirurgia do Aparelho Digestivo), RQE 44656 (Cirurgia Geral). Professor de Cirurgia da FAMED-UFU e Supervisor do Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral do HC-UFU. Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (TCBC). ORCID. Última revisão: outubro/2026.
- Dave HB, Chamié LP, Young SW, et al. Bowel Endometriosis: Systematic Approach to Diagnosis with US and MRI. Radiographics. 2025;45(4):e240102. doi:10.1148/rg.240102
- Roman H; FRIENDS group. A national snapshot of the surgical management of deep infiltrating endometriosis of the rectum and colon in France in 2015: a multicenter series of 1135 cases. J Gynecol Obstet Hum Reprod. 2017;46(2):159-165. doi:10.1016/j.jogoh.2016.09.004
- Barchi LC, Callado GY, Machado RB, et al. Intestinal endometriosis: outcomes from a multidisciplinary specialized referral center. Arq Bras Cir Dig. 2024;37:e1806. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11216408/
- Gerges B, Li W, Leonardi M, et al. Optimal imaging modality for detection of rectosigmoid deep endometriosis: systematic review and meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol. 2021;58(2):190-200. doi:10.1002/uog.23148
- Maderuelo S, Satorres E, Arrufat T, et al. Transvaginal ultrasound with bowel preparation versus transvaginal ultrasound with bowel preparation and water contrast for diagnosing recto-sigmoid endometriosis: a systematic review and meta-analysis. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2024;297:233-240. doi:10.1016/j.ejogrb.2024.04.015
- Goncalves MO, Podgaec S, Dias JA Jr, et al. Transvaginal ultrasonography with bowel preparation is able to predict the number of lesions and rectosigmoid layers affected in cases of deep endometriosis, defining surgical strategy. Hum Reprod. 2010;25(3):665-671. doi:10.1093/humrep/dep433
- Andres MP, Mendes RFP, Hernandes C, et al. Hormone treatment as first line therapy is safe and relieves pelvic pain in women with bowel endometriosis. Einstein (Sao Paulo). 2019;17(2):eAO4583. doi:10.31744/einstein_journal/2019AO4583
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al.; ESHRE Endometriosis Guideline Group. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009 (texto completo: PMC8951218). doi:10.1093/hropen/hoac009
- Working group of ESGE, ESHRE and WES; Keckstein J, Becker CM, Canis M, et al. Recommendations for the surgical treatment of endometriosis. Part 2: deep endometriosis. Hum Reprod Open. 2020;2020(1):hoaa002 (texto completo: PMC7013143). doi:10.1093/hropen/hoaa002
- Arcoverde FVL, Andres MP, Borrelli GM, et al. Surgery for endometriosis improves major domains of quality of life: a systematic review and meta-analysis. J Minim Invasive Gynecol. 2019;26(2):266-278. doi:10.1016/j.jmig.2018.09.774
- Riiskjær M, Forman A, Kesmodel US, et al. Pelvic pain and quality of life before and after laparoscopic bowel resection for rectosigmoid endometriosis: a prospective, observational study. Dis Colon Rectum. 2018;61(2):221-229. doi:10.1097/DCR.0000000000000970
- Nasseri Y, Ma R, Fani N, et al. The impact of surgeon speciality on surgical outcomes following colorectal resection for endometriosis. Colorectal Dis. 2025;27(2):e70028. doi:10.1111/codi.70028
- Roman H, Chanavaz-Lacheray I, Ballester M, et al. High postoperative fertility rate following surgical management of colorectal endometriosis. Hum Reprod. 2018;33(9):1669-1676. doi:10.1093/humrep/dey146
- Shakiba K, Bena JF, McGill KM, et al. Surgical treatment of endometriosis: a 7-year follow-up on the requirement for further surgery. Obstet Gynecol. 2008;111(6):1285-1292. doi:10.1097/AOG.0b013e3181758ec6
- Meyer R, Nasseri YY, Barnajian M, et al. Risk factors for major complications following colorectal resections for endometriosis in the USA. Int J Colorectal Dis. 2023;39(1):1. doi:10.1007/s00384-023-04577-5
- Namnoum AB, Hickman TN, Goodman SB, et al. Incidence of symptom recurrence after hysterectomy for endometriosis. Fertil Steril. 1995;64(5):898-902. doi:10.1016/s0015-0282(16)57899-6
- Parker WH, Broder MS, Chang E, et al. Ovarian conservation at the time of hysterectomy and long-term health outcomes in the Nurses' Health Study. Obstet Gynecol. 2009;113(5):1027-1037. doi:10.1097/AOG.0b013e3181a11c64
- Moulder JK, Siedhoff MT, Melvin KL, et al. Risk of appendiceal endometriosis among women with deep-infiltrating endometriosis. Int J Gynaecol Obstet. 2017;139(2):149-154. doi:10.1002/ijgo.12286
- Guo C, Chen MZ, Chiu T, et al. The appendix in endometriosis. Aust N Z J Obstet Gynaecol. 2023;63(6):792-796. doi:10.1111/ajo.13730
- Burks C, Lee M, DeSarno M, et al. Excision versus ablation for management of minimal to mild endometriosis: a systematic review and meta-analysis. J Minim Invasive Gynecol. 2021;28(3):587-597. doi:10.1016/j.jmig.2020.11.028
- Abesadze E, Sehouli J, Mechsner S, et al. Possible role of the posterior compartment peritonectomy, as a part of the complex surgery, regarding recurrence rate, improvement of symptoms and fertility rate in patients with endometriosis, long-term follow-up. J Minim Invasive Gynecol. 2020;27(5):1103-1111. doi:10.1016/j.jmig.2019.08.019
- Knabben L, Imboden S, Fellmann B, et al. Urinary tract endometriosis in patients with deep infiltrating endometriosis: prevalence, symptoms, management, and proposal for a new clinical classification. Fertil Steril. 2015;103(1):147-152. doi:10.1016/j.fertnstert.2014.09.028
- Barra F, Scala C, Biscaldi E, et al. Ureteral endometriosis: a systematic review of epidemiology, pathogenesis, diagnosis, treatment, risk of malignant transformation and fertility. Hum Reprod Update. 2018;24(6):710-730. doi:10.1093/humupd/dmy027
- Roman H, Bridoux V, Merlot B, et al. Risk of rectovaginal fistula in women with excision of deep endometriosis requiring concomitant vaginal and rectal sutures, with or without preventive stoma: a before-and-after comparative study. J Minim Invasive Gynecol. 2022;29(1):56-64.e1. doi:10.1016/j.jmig.2021.06.013
- Roman H, Bubenheim M, Huet E, et al. Conservative surgery versus colorectal resection in deep endometriosis infiltrating the rectum: a randomized trial. Hum Reprod. 2018;33(1):47-57. doi:10.1093/humrep/dex336
- Roman H, Maria Davidescu AA, Crestani A, et al. Long term outcomes of surgical management of rectal endometriosis: 10-year follow-up of patients enrolled in a randomized trial. Am J Obstet Gynecol. 2026 (online ahead of print). doi:10.1016/j.ajog.2026.07.007
- Bendifallah S, Puchar A, Vesale E, et al. Surgical outcomes after colorectal surgery for endometriosis: a systematic review and meta-analysis. J Minim Invasive Gynecol. 2021;28(3):453-466. doi:10.1016/j.jmig.2020.08.015
- Bendifallah S, Vesale E, Daraï E, et al. Recurrence after surgery for colorectal endometriosis: a systematic review and meta-analysis. J Minim Invasive Gynecol. 2020;27(2):441-451.e2. doi:10.1016/j.jmig.2019.09.791
- O'Brien L, Morarasu S, Morarasu BC, et al. Conservative surgery versus colorectal resection for endometriosis with rectal involvement: a systematic review and meta-analysis of surgical and long-term outcomes. Int J Colorectal Dis. 2023;38(1):55. doi:10.1007/s00384-023-04352-6
- Coll S, Hurni Y, Barbany-Freixa N, et al. Low anterior resection syndrome in patients undergoing bowel segmental resection for rectosigmoid endometriosis: a retrospective long-term follow-up study. Colorectal Dis. 2025;27(5):e70113. doi:10.1111/codi.70113
- Madar A, Crestani A, Eraud P, et al. Voiding dysfunction after surgery for colorectal deep infiltrating endometriosis: an updated systematic review and meta-analysis. Updates Surg. 2025;77(3):739-748. doi:10.1007/s13304-025-02124-1
- Roman H, Bridoux V, Merlot B, et al. Risk of bowel fistula following surgical management of deep endometriosis of the rectosigmoid: a series of 1102 cases. Hum Reprod. 2020;35(7):1601-1611. doi:10.1093/humrep/deaa131
- Soto E, Luu TH, Liu X, et al. Laparoscopy vs. robotic surgery for endometriosis (LAROSE): a multicenter, randomized, controlled trial. Fertil Steril. 2017;107(4):996-1002.e3. doi:10.1016/j.fertnstert.2016.12.033
- Zhang X, Zhang X. Comparison of perioperative outcomes between robotic surgery and traditional laparoscopy for colorectal endometriosis: a systematic review and meta-analysis. J Robot Surg. 2025;19(1):239. doi:10.1007/s11701-025-02374-6
- Servidoni ACP, Tristão LS, Lemos MJ, et al. The robotic trade-off in endometriosis surgery: robot-assisted versus conventional laparoscopy — a systematic review and meta-analysis. J Minim Invasive Gynecol. 2026 (online ahead of print). doi:10.1016/j.jmig.2026.09.469
- Madar A, Ferrier C, Dabi Y, et al. Voiding dysfunction after robotic-assisted laparoscopic surgery for colorectal endometriosis: a systematic review and meta-analysis. J Minim Invasive Gynecol. 2026 (online ahead of print). doi:10.1016/j.jmig.2026.07.026
- Verrelli L, Merlot B, Chanavaz-Lacheray I, et al. Robotic surgery for severe endometriosis: a preliminary comparative study of cost estimation. J Minim Invasive Gynecol. 2024;31(2):95-101.e1. doi:10.1016/j.jmig.2023.11.002
- Shugaba A, Lambert JE, Bampouras TM, et al. Should all minimal access surgery be robot-assisted? A systematic review into the musculoskeletal and cognitive demands of laparoscopic and robot-assisted laparoscopic surgery. J Gastrointest Surg. 2022;26(7):1520-1530. doi:10.1007/s11605-022-05319-8
- Larraín D, Heredia F, Maisto MLÁ, et al. Cumulative pregnancy rates among patients with bowel endometriosis according to therapeutic approach: a systematic review and meta-analysis. J Minim Invasive Gynecol. 2026;33(5):527-545. doi:10.1016/j.jmig.2025.12.009
- Zakhari A, Delpero E, McKeown S, et al. Endometriosis recurrence following post-operative hormonal suppression: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update. 2021;27(1):96-107. doi:10.1093/humupd/dmaa033
