
Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes
Professor de Cirurgia — FAMED UFU · Título de Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo (CBCD/AMB) · Certificação em Cirurgia Robótica (Intuitive / Hospital Albert Einstein) · Atende nos Hospitais UMC e Mater Dei Santa Genoveva, Uberlândia-MG · (34) 99341-0915
O câncer de esôfago é uma neoplasia maligna que se desenvolve na mucosa do tubo digestivo responsável por conduzir o alimento da boca ao estômago. Os dois principais subtipos histológicos são o adenocarcinoma de esôfago, geralmente associado ao esôfago de Barrett decorrente de refluxo gastroesofágico crônico, e o carcinoma epidermoide (ou carcinoma escamoso), mais relacionado ao tabagismo e ao consumo crônico de álcool. A doença acomete predominantemente homens acima dos 50 anos e, na fase inicial, costuma ser assintomática ou causar sintomas inespecíficos, o que retarda o diagnóstico. Os sinais de alerta mais comuns incluem disfagia progressiva (dificuldade para engolir, inicialmente para alimentos sólidos e depois também líquidos), perda de peso não intencional, odinofagia (dor ao engolir), rouquidão persistente, tosse crônica e, em casos mais avançados, sangramento digestivo ou anemia. Refluxo gastroesofágico crônico e não tratado é um fator de risco relevante e merece acompanhamento médico regular.
O diagnóstico do câncer de esôfago é confirmado por endoscopia digestiva alta com biópsia, exame que permite visualizar diretamente a lesão e definir o subtipo histológico. O estadiamento complementar inclui ecoendoscopia (para avaliar a profundidade de invasão na parede do órgão), tomografia computadorizada de tórax e abdome e, quando indicado, PET-CT, para investigar linfonodos e possíveis metástases à distância. Esse conjunto de exames orienta a decisão terapêutica, que costuma envolver equipe multidisciplinar de oncologia, cirurgia digestiva, radioterapia e nutrição. Nos estágios em que a doença está confinada ao esôfago e estruturas adjacentes, a cirurgia — a esofagectomia — permanece a base do tratamento com intenção curativa, associada com frequência à quimioterapia ou quimiorradioterapia neoadjuvante. O planejamento cirúrgico é conduzido por cirurgião com certificação em Cirurgia Oncológica do Aparelho Digestivo pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), sociedade vinculada à Associação Médica Brasileira (AMB), formação que atesta capacitação técnica específica para esse tipo de procedimento de alta complexidade.
A esofagectomia consiste na ressecção parcial ou total do esôfago acometido pelo tumor, seguida de reconstrução do trânsito digestivo, geralmente por meio da tubulização do estômago (gastroplastia tubular), que é ascendido e anastomosado ao esôfago remanescente no tórax ou no pescoço. As principais vias de acesso são a esofagectomia transtorácica (técnica de Ivor Lewis, com abordagem abdominal e torácica) e a esofagectomia transhiatal, sem toracotomia. Atualmente, a abordagem minimamente invasiva — por videolaparoscopia e videotoracoscopia, ou por cirurgia robótica — é utilizada para reduzir o trauma cirúrgico quando a anatomia e o estadiamento permitem. Linfadenectomia regional acompanha a ressecção para estadiamento e controle oncológico. Nos casos localmente avançados, quimioterapia ou quimiorradioterapia neoadjuvante costuma preceder a cirurgia, e terapia adjuvante pode ser indicada conforme o resultado anatomopatológico.
O que esperar antes e depois da cirurgia.
Preparo pré-operatório
O preparo pré-operatório para a esofagectomia oncológica geralmente envolve avaliação clínica multidisciplinar — incluindo exames cardiopulmonares e nutricionais — para avaliar as condições do paciente antes da cirurgia. Também costuma incluir exames complementares de estadiamento, orientações sobre jejum e possíveis ajustes de medicações em uso, conforme protocolo definido pela equipe assistente. Esses passos podem variar conforme o caso, o estado clínico do paciente e a via cirúrgica planejada, sendo detalhados individualmente na consulta pré-operatória.
Recuperação e pós-operatório
A recuperação após a esofagectomia oncológica costuma começar com um período inicial em unidade de terapia intensiva, com monitorização respiratória e controle da dor, seguido de retomada progressiva e cautelosa da alimentação por via oral. A fisioterapia respiratória e motora geralmente faz parte do acompanhamento nos primeiros dias, contribuindo para a reabilitação gradual. O tempo total de recuperação pode variar conforme a via de acesso utilizada, a evolução clínica de cada paciente e eventual necessidade de tratamento oncológico complementar, sendo acompanhado de perto pela equipe assistente.
Dúvidas comuns sobre esse procedimento.
Quais são os sintomas e sinais de alerta do câncer de esôfago?+
O sintoma mais característico é a disfagia progressiva — dificuldade para engolir, que começa com alimentos sólidos e evolui para líquidos. Perda de peso não intencional, odinofagia (dor ao engolir), rouquidão persistente, tosse crônica, engasgos frequentes e sangramento digestivo (evidenciado por anemia ou fezes escurecidas) também podem ocorrer. Como os sintomas costumam surgir em fases mais avançadas, refluxo crônico ou disfagia persistente merecem avaliação médica sem demora.
Quais exames confirmam o diagnóstico de câncer de esôfago?+
O diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta com biópsia da lesão, que define o subtipo histológico (adenocarcinoma ou carcinoma epidermoide). Para o estadiamento, utilizam-se ecoendoscopia (avalia a profundidade da invasão na parede do esôfago), tomografia computadorizada de tórax e abdome e, quando indicado, PET-CT, para rastrear linfonodos regionais e metástases à distância. Esses exames, em conjunto, orientam a definição da estratégia terapêutica pela equipe multidisciplinar.
Quanto tempo dura a cirurgia de esofagectomia?+
A esofagectomia é um procedimento de alta complexidade, com duração média entre 5 e 8 horas, podendo variar conforme a via de acesso (transtorácica, transhiatal ou minimamente invasiva/robótica), a extensão da ressecção, a necessidade de linfadenectomia e as características anatômicas de cada paciente. O tempo cirúrgico exato é discutido individualmente durante o planejamento pré-operatório.
Que tipo de anestesia é utilizada na esofagectomia?+
O procedimento é realizado sob anestesia geral, com frequência associada a técnicas de analgesia regional (como bloqueio peridural torácico) para otimizar o controle da dor no pós-operatório. A avaliação anestésica pré-operatória inclui exames cardiopulmonares, já que a cirurgia costuma envolver acesso torácico e exige monitorização respiratória cuidadosa durante e após o procedimento.
Quanto tempo de internação é necessário após a esofagectomia?+
A internação hospitalar após esofagectomia costuma variar entre 7 e 14 dias, incluindo período inicial em unidade de terapia intensiva para monitorização respiratória e hemodinâmica. O tempo exato depende da via de acesso utilizada, da evolução da cicatrização da anastomose e de eventuais intercorrências, sendo reavaliado dia a dia pela equipe assistente.
Como é controlada a dor após a cirurgia de esôfago?+
O controle álgico costuma combinar analgesia peridural torácica, analgésicos endovenosos e, posteriormente, medicação oral, seguindo protocolo individualizado. A dor tende a ser mais intensa nos primeiros dias, sobretudo quando há acesso torácico, e diminui progressivamente com a cicatrização. A equipe de dor acompanha o paciente diariamente para ajustar o esquema conforme a resposta clínica.
É necessário usar sonda ou drenos após a esofagectomia?+
Sim. É comum o uso de dreno torácico (quando há acesso ao tórax), sonda nasoenteral ou jejunostomia para alimentação precoce enquanto a anastomose cicatriza, e por vezes sonda nasogástrica temporária. Esses dispositivos são retirados progressivamente conforme exames confirmam a integridade da reconstrução do trânsito digestivo e a evolução clínica permite reintrodução da dieta oral.
A esofagectomia deixa cicatrizes visíveis?+
O padrão de cicatrizes depende da via de acesso: na cirurgia aberta, há incisões abdominal e/ou torácica (e cervical, se necessário); nas técnicas minimamente invasivas (videolaparoscopia, videotoracoscopia ou robótica), as incisões são menores e em menor número. A extensão e a localização das cicatrizes são discutidas previamente, conforme a técnica indicada para cada caso.
Quanto tempo o paciente fica afastado do trabalho após a esofagectomia?+
O afastamento costuma variar de 4 a 8 semanas para atividades leves, podendo se estender para funções que exigem esforço físico mais intenso. Esse prazo depende da via de acesso utilizada, da recuperação da capacidade respiratória e nutricional e de eventual necessidade de tratamento oncológico complementar, sendo definido individualmente ao longo do acompanhamento pós-operatório.
Quais são os principais riscos e complicações da esofagectomia?+
Por ser cirurgia de grande porte, a esofagectomia apresenta riscos como fístula na anastomose, complicações pulmonares (pneumonia, derrame pleural), infecção, sangramento e alterações na deglutição. Pacientes com comorbidades cardiopulmonares graves ou baixa reserva funcional podem ter contraindicações relativas ao procedimento. Cada caso é avaliado individualmente, e os riscos específicos são detalhados na consulta pré-operatória.
É sempre necessário fazer quimioterapia ou radioterapia além da cirurgia?+
Não necessariamente — depende do estadiamento tumoral. Em casos localmente avançados, quimioterapia ou quimiorradioterapia neoadjuvante costuma preceder a esofagectomia para reduzir o tumor, e terapia adjuvante pode ser indicada conforme o resultado anatomopatológico. Essa decisão é tomada por equipe multidisciplinar — cirurgia oncológica, oncologia clínica, radioterapia e nutrição — de acordo com as particularidades de cada paciente.
Estrutura hospitalar em Uberlândia-MG.
Hospital Mater Dei Santa Genoveva
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Abrir no Google Maps →Conteúdo revisado por Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes — CRM-MG 79366, RQE 60355 (Cirurgia do Aparelho Digestivo), RQE 44656 (Cirurgia Geral). Professor de Cirurgia da FAMED-UFU e Supervisor do Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral do HC-UFU. ORCID. Última revisão: setembro/2026.
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