
Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes
Professor de Cirurgia — FAMED UFU · Título de Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo (CBCD/AMB) · Certificação em Cirurgia Robótica (Intuitive / Hospital Albert Einstein) · Atende nos Hospitais UMC e Mater Dei Santa Genoveva, Uberlândia-MG · (34) 99341-0915
O câncer de pâncreas, cujo tipo histológico mais frequente é o adenocarcinoma ductal, é uma neoplasia de comportamento biologicamente agressivo, associada a crescimento silencioso na fase inicial. Por isso, grande parte dos casos é diagnosticada em estágio localmente avançado ou com doença metastática, o que torna o reconhecimento precoce dos sinais de alerta um fator relevante na condução clínica. Os sintomas mais comuns incluem icterícia (pele e olhos amarelados) associada a colúria e acolia fecal quando o tumor está localizado na cabeça do pâncreas e comprime a via biliar, além de dor abdominal alta com irradiação para o dorso, emagrecimento não intencional, perda de apetite, náuseas e, em alguns casos, diabetes mellitus de início recente em paciente sem fatores de risco prévios. Tabagismo, pancreatite crônica, obesidade e histórico familiar aumentam o risco e reforçam a importância da investigação diante desses sintomas.
O diagnóstico do câncer de pâncreas combina exames de imagem — tomografia computadorizada de abdome com protocolo pancreático, ressonância magnética e colangiorressonância — com marcadores tumorais séricos como o CA 19-9, e, quando indicado, ecoendoscopia com biópsia para confirmação histológica. O estadiamento correto define se o tumor é ressecável, borderline ressecável ou localmente avançado/metastático, orientando a sequência terapêutica. Na doença ressecável, a cirurgia continua sendo o tratamento com potencial curativo, geralmente associada a quimioterapia neoadjuvante ou adjuvante conforme o estadiamento e a resposta biológica do tumor. Por se tratar de cirurgia de alta complexidade técnica, a indicação e a condução do caso demandam experiência específica em cirurgia oncológica do aparelho digestivo — área na qual o Dr. Solon Gonçalves possui certificação emitida pelo Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), sociedade vinculada à Associação Médica Brasileira (AMB).
Para tumores localizados na cabeça do pâncreas, o procedimento indicado é a duodenopancreatectomia, também chamada de cirurgia de Whipple, que envolve a ressecção em bloco da cabeça pancreática, duodeno, vias biliares distais e, conforme a técnica, parte do estômago, seguida de reconstrução do trânsito digestivo com anastomoses pancreatojejunal, hepaticojejunal e gastro ou duodenojejunal. Para lesões de corpo e cauda do pâncreas, realiza-se a pancreatectomia distal, associada ou não à esplenectomia, a depender da proximidade do tumor com o hilo esplênico. O acesso pode ser aberto, laparoscópico ou robótico, conforme extensão tumoral, anatomia vascular e avaliação da equipe. Em muitos casos, quimioterapia neoadjuvante antecede a cirurgia, e esquemas adjuvantes complementam o tratamento após a recuperação.
O que esperar antes e depois da cirurgia.
Preparo pré-operatório
O preparo pré-operatório para a pancreatectomia oncológica costuma incluir avaliação clínica e nutricional, exames de imagem e laboratoriais para estadiamento e triagem de riscos, além da otimização de condições associadas, como diabetes ou icterícia obstrutiva. Em alguns casos selecionados pode ser necessária drenagem biliar prévia, conforme avaliação da equipe. Orientações sobre jejum, ajuste de medicações em uso e cessação do tabagismo geralmente são fornecidas antes da cirurgia, mas o protocolo específico varia conforme o caso e deve ser sempre confirmado diretamente com a equipe médica responsável.
Recuperação e pós-operatório
A recuperação após a pancreatectomia oncológica costuma envolver alguns dias de internação hospitalar, com monitorização de drenos, controle da dor e retomada progressiva da alimentação conforme a evolução clínica de cada paciente. O tempo de internação e o retorno às atividades habituais podem variar bastante de caso para caso, a depender da extensão da cirurgia e de eventuais intercorrências. O acompanhamento pós-operatório geralmente inclui exames de reavaliação e, quando indicado, tratamento oncológico complementar, sempre orientados pela equipe multidisciplinar responsável.
Dúvidas comuns sobre esse procedimento.
Quais são os sintomas e sinais de alerta do câncer de pâncreas?+
Os sinais mais característicos incluem icterícia (amarelamento da pele e dos olhos) acompanhada de urina escura e fezes claras, quando o tumor está na cabeça do pâncreas e obstrui a via biliar. Também podem ocorrer dor abdominal alta com irradiação para o dorso, emagrecimento não intencional, perda de apetite, náuseas e diabetes de início recente sem fatores de risco associados. Esses sintomas justificam avaliação médica e investigação por imagem, embora também possam estar relacionados a outras condições.
Quais exames são usados para diagnosticar o câncer de pâncreas?+
A investigação inicial geralmente inclui tomografia computadorizada de abdome com protocolo específico para pâncreas e ressonância magnética com colangiorressonância, que avaliam a lesão e sua relação com estruturas vasculares. O marcador tumoral CA 19-9 auxilia no acompanhamento, embora não seja diagnóstico isolado. A confirmação histológica pode ser obtida por ecoendoscopia com biópsia por agulha fina. O conjunto de exames define o estadiamento e a possibilidade de ressecção cirúrgica.
Quanto tempo dura a cirurgia de duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple)?+
A duodenopancreatectomia é um procedimento de alta complexidade, com duração média entre 6 e 10 horas, podendo variar conforme a anatomia do paciente, a extensão da ressecção e a necessidade de reconstruções vasculares associadas. Esse tempo cirúrgico prolongado reflete as múltiplas etapas do procedimento — ressecção, reconstrução biliar, pancreática e digestiva — e cada caso deve ter sua estimativa discutida individualmente com a equipe cirúrgica.
Que tipo de anestesia é usada nessa cirurgia?+
O procedimento é realizado sob anestesia geral, frequentemente combinada com técnicas de analgesia peridural ou outros bloqueios regionais para otimizar o controle da dor no pós-operatório e reduzir a necessidade de opioides. A escolha da técnica anestésica é definida pela equipe de anestesiologia com base nas condições clínicas do paciente, sendo discutida previamente na avaliação pré-operatória.
Quanto tempo dura a internação após a cirurgia do pâncreas?+
A internação após duodenopancreatectomia ou pancreatectomia distal costuma variar entre 7 e 14 dias, incluindo período em unidade de terapia intensiva nas primeiras horas ou dias, conforme protocolo institucional. A alta hospitalar depende da recuperação da função intestinal, controle da dor, ausência de sinais de fístula pancreática ou outras complicações, e capacidade de aceitação de dieta oral. O tempo real varia caso a caso.
A dor pós-operatória é intensa? Como é controlada?+
Por se tratar de cirurgia abdominal extensa, algum grau de dor pós-operatória é esperado, especialmente nos primeiros dias. O controle é feito com analgesia multimodal, associando analgesia peridural ou bloqueios regionais, analgésicos endovenosos e, quando necessário, opioides em doses ajustadas. A intensidade e a duração da dor variam entre pacientes, e o manejo é individualizado pela equipe de dor aguda durante toda a internação.
É necessário usar drenos ou sondas após a cirurgia?+
Sim. É comum o uso de drenos abdominais posicionados próximo às anastomoses pancreática e biliar, para monitorar a presença de secreções e identificar precocemente eventual fístula pancreática — uma das complicações mais relevantes dessa cirurgia. Também pode ser necessária sonda nasogástrica nas primeiras horas e, eventualmente, sonda vesical. A retirada de cada dispositivo é gradual, conforme a evolução clínica e os débitos observados.
Como ficam as cicatrizes da cirurgia?+
No acesso aberto, a incisão costuma ser mediana ou subcostal no abdome superior, podendo variar em extensão conforme a técnica escolhida. Quando indicado o acesso laparoscópico ou robótico, as cicatrizes são menores, distribuídas em pequenas incisões. A escolha da via de acesso depende de fatores anatômicos, oncológicos e da avaliação individual da equipe cirúrgica, e deve ser discutida caso a caso antes da operação.
Quanto tempo o paciente fica afastado do trabalho?+
O período de afastamento costuma variar entre 4 e 8 semanas, podendo ser mais prolongado dependendo da evolução pós-operatória, da necessidade de tratamento complementar com quimioterapia e da natureza da atividade profissional. Atividades físicas mais intensas geralmente requerem liberação médica específica. Cada caso deve ter seu retorno às atividades avaliado individualmente pela equipe responsável pelo acompanhamento.
Quais são os principais riscos dessa cirurgia e quando ela não é indicada?+
As complicações mais relevantes incluem fístula pancreática, atraso no esvaziamento gástrico, sangramento, infecção de sítio cirúrgico e coleções intra-abdominais, além dos riscos gerais de cirurgias de grande porte. A cirurgia pode não ser indicada em doença metastática, invasão extensa de estruturas vasculares que inviabilize ressecção com margens livres, ou quando as condições clínicas do paciente não permitem um procedimento de grande porte com segurança. Cada caso é avaliado individualmente.
É necessário fazer quimioterapia ou radioterapia? Quem participa do tratamento?+
Na maior parte dos casos, a cirurgia é associada a quimioterapia neoadjuvante (antes) ou adjuvante (depois), conforme o estadiamento e a resposta tumoral; radioterapia pode ser considerada em situações selecionadas. O tratamento envolve equipe multidisciplinar — cirurgião oncológico, oncologista clínico, radioterapeuta quando indicado, nutricionista, endocrinologista e equipe de enfermagem especializada — para acompanhamento integral antes, durante e após a cirurgia.
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Hospital Mater Dei Santa Genoveva
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Abrir no Google Maps →Conteúdo revisado por Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes — CRM-MG 79366, RQE 60355 (Cirurgia do Aparelho Digestivo), RQE 44656 (Cirurgia Geral). Professor de Cirurgia da FAMED-UFU e Supervisor do Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral do HC-UFU. ORCID. Última revisão: setembro/2026.
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