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DIÁSTASE

Cirurgia de Diástase Abdominal em Uberlândia-MG — Correção por Vídeo ou Robótica

Entenda quando a diástase abdominal tem indicação cirúrgica e conheça as técnicas minimamente invasivas disponíveis.

Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes, cirurgião do aparelho digestivo e cirurgia robótica em Uberlândia-MG

Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes

CRM-MG 79366 · RQE 60355 (Cirurgia do Aparelho Digestivo) · RQE 44656 (Cirurgia Geral)

Professor de Cirurgia — FAMED UFU · Certificação em Cirurgia Robótica (Intuitive / Hospital Albert Einstein) · Atende nos Hospitais UMC e Mater Dei Santa Genoveva, Uberlândia-MG · (34) 99341-0915

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A diástase abdominal é o afastamento dos músculos retos do abdômen na linha média, unidos pela linha alba. É uma condição comum após a gravidez, grandes oscilações de peso ou esforço físico intenso, e pode gerar tanto uma alteração no contorno do abdômen quanto sintomas funcionais, como dor lombar e sensação de fraqueza no core.

Ilustração da parede abdominal: à esquerda a diástase, com os músculos retos afastados e a linha alba alargada; à direita a parede normal
Ilustração didáticaÀ esquerda, a diástase: os músculos retos do abdome afastados e a linha alba — a faixa de tecido que os une no centro — alargada. À direita, a parede abdominal normal, com os retos lado a lado na linha média. A correção cirúrgica aproxima os músculos e reforça a linha alba.

O tratamento cirúrgico é individualizado: a técnica mais adequada depende do grau da diástase, da presença de hérnias associadas, do excesso de pele e dos objetivos de cada paciente. Conheça abaixo as abordagens utilizadas pelo Dr. Solon Gonçalves.

Resposta rápida
  • Diástase não é hérnia. A linha alba fica alargada, mas contínua — sem orifício na parede abdominal.
  • A partir de 2 cm de largura, segundo a Sociedade Europeia de Hérnia. É comum: entre 30% e 68% das mulheres ainda a têm no pós-parto.
  • Nem toda diástase precisa de cirurgia. A fisioterapia pode ser tentada antes, e boa parte dos casos não chega a operar.
  • A cirurgia entra quando há sintomas — dor, instabilidade no core, hérnia associada — e o tratamento conservador não resolveu.
  • Quatro técnicas: SCOLA, MILA, MAMI e abdominoplastia. O que decide entre elas é quanta pele sobra, o grau de flacidez e a porcentagem de gordura corporal.
  • Internação de um dia. Retorno ao trabalho em cerca de 15 dias na SCOLA e na MILA, e 30 dias na MAMI e na abdominoplastia.
  • Não é feita por convênio: a correção da diástase é sempre particular.
ANTES DA CIRURGIA

Nem toda diástase precisa de cirurgia.

A Sociedade Europeia de Hérnia define diástase, tecnicamente, como uma linha alba com mais de 2 cm de largura. E ela é extremamente comum: praticamente toda mulher apresenta algum grau dela no fim da gravidez, e entre 30% e 68% ainda a têm no pós-parto. Ter diástase não é, por si só, ter uma doença — boa parte resolve sozinha ou permanece sem sintoma nenhum.

Por isso as diretrizes da Sociedade Europeia de Hérnia recomendam que a fisioterapia seja tentada antes de considerar cirurgia. Uma meta-análise reunindo 34 estudos randomizados e mais de 1.500 mulheres no pós-parto mostrou que exercícios abdominais podem reduzir a diástase, sobretudo os isotônicos — efeito que não se repetiu com os isométricos isolados.

A cirurgia entra em cena quando a diástase é sintomática de fato — dor, sensação de instabilidade no core, hérnia associada — e não respondeu a um período adequado de tratamento conservador. Sobre o que a ciência mostra, e o que ela não mostra, a respeito de diástase, dor lombar e função, escrevi um texto detalhado com as fontes.

CLASSIFICAÇÃO

Quanto a diástase mede — e o que a medida diz.

Em 2021 a Sociedade Europeia de Hérnia propôs uma classificação que descreve a diástase por três critérios ao mesmo tempo: o tipo, a distância entre os músculos retos e a existência de hérnia associada. A medida é feita por ultrassom ou paquímetro, 3 cm acima da cicatriz umbilical.

Classificação de diástase dos retos da Sociedade Europeia de Hérnia. Fonte: Hernández-Granados P, Henriksen NA, Berrevoet F, et al. European Hernia Society guidelines on management of rectus diastasis. Br J Surg. 2021;108(10):1189–1191.
CritérioCategorias
T — TipoT1 = após gestação · T2 = associada a adiposidade
D — Distância entre os retosD1 = >2 a 3 cm · D2 = >3 a 5 cm · D3 = >5 cm
H — Hérnia umbilical e/ou epigástrica associadaH0 = ausente · H1 = presente

Duas ressalvas importantes. A primeira: uma separação de até 2 cm é considerada fisiológica — por isso a faixa D1 começa acima de 2 cm, e não em zero. A segunda: a classificação descreve o caso, ela não prescreve o tratamento. A diretriz europeia não liga a técnica cirúrgica a faixas de centímetros — o critério que ela relaciona à conduta é haver ou não hérnia associada. E, entre SCOLA, MILA, MAMI e abdominoplastia, o que decide é quanta pele sobra, o grau de flacidez e a porcentagem de gordura corporal.

Vale distinguir de outra classificação que circula com frequência: a da Sociedade Alemã de Hérnia com a Sociedade Internacional de Endohérnia, que usa a letra W e faixas diferentes — W1 abaixo de 3 cm, W2 de 3 a 5 cm e W3 acima de 5 cm. As duas não são intercambiáveis: W1 engloba medidas que a definição de diástase considera normais, enquanto D1 começa acima de 2 cm.

COMPARATIVO

As quatro técnicas, lado a lado.

O que muda entre elas é quanta pele sobra, o grau de flacidez e a porcentagem de gordura corporal. Cada coluna leva à página da técnica.

Deslize a tabela para o lado para comparar as quatro técnicas.

Quadro elaborado a partir do conteúdo das próprias páginas de cada técnica. Os prazos variam conforme a evolução clínica de cada paciente e a indicação é sempre definida em consulta.
SCOLAMILAMAMIAbdominoplastia
Para quem éDiástase com sintomas relevantes — dor, hérnia associada ou impacto funcionalPouca sobra de pele, com gordura localizadaMais sobra de pele, sem indicação de abdominoplastiaExcesso de pele e flacidez da parede abdominal
Via de acessoVideolaparoscopia ou robótica, no plano subcutâneo — apenas 3 furinhos milimétricos, abaixo da linha do biquíniVideolaparoscopia ou robótica — apenas 3 furinhos milimétricos, abaixo da linha do biquíniVideolaparoscopia ou robótica somada a um tempo de cirurgia plásticaIncisão horizontal no abdome inferior, com reposicionamento do umbigo
Cortes?Não. Apenas os 3 furinhos milimétricos, abaixo da linha do biquíniNão. Apenas os 3 furinhos milimétricos, abaixo da linha do biquíniSim. Incisão para retirada do fuso de pele com flacidez, aproveitando apenas a cicatriz da cesárea prévia, se houverSim. Grande corte horizontal no abdome inferior, geralmente abaixo da linha do biquíni
Retira pele?Não — sem remoção de pele nem abertura ampla da paredeNão — a pele é tratada por retração da pele, não por retiradaSim, apenas um pequeno fuso, aproveitando a cicatriz de cesárea quando existeSim — a remoção do excesso de pele é o objetivo da técnica
Usa tela?Na maioria dos casos, não — a tela fica reservada a hérnias volumosas associadasNa maioria dos casos, não — a tela fica reservada a hérnias volumosas associadasNa maioria dos casos, não — a tela fica reservada a hérnias volumosas associadasNa maioria dos casos, não — a tela fica reservada a hérnias volumosas associadas
Lipoaspiração?Não. Só a correção da diástase, pelo cirurgião do aparelho digestivoSim, no mesmo tempo cirúrgico, pela equipe de cirurgia plásticaSim, no mesmo tempo cirúrgico, pela equipe de cirurgia plásticaSim, associada à dermolipectomia, no refinamento do contorno abdominal
EquipeSó o cirurgião do aparelho digestivoCirurgião do aparelho digestivo e cirurgia plásticaCirurgião do aparelho digestivo e cirurgia plásticaCirurgião do aparelho digestivo e cirurgia plástica
AnestesiaGeralGeralGeralGeral
InternaçãoUm dia — alta no dia seguinte à cirurgiaUm dia — alta no dia seguinte à cirurgiaUm dia — alta no dia seguinte à cirurgiaUm dia — alta no dia seguinte à cirurgia
Retorno ao trabalhoAproximadamente 15 diasAproximadamente 15 diasAproximadamente 30 diasAproximadamente 30 dias
Atividade física de impacto ou carregar pesoAproximadamente 30 diasAproximadamente 30 diasDe 45 a 60 diasDe 45 a 60 dias
COMO FUNCIONA

O processo, do início ao retorno às atividades.

01

Avaliação

Exame físico, histórico e discussão dos objetivos para definir se há indicação cirúrgica e qual técnica se aplica ao seu caso.

02

Exames

Avaliação de imagem (ultrassom ou tomografia) para medir a diástase e identificar hérnias associadas.

03

Cirurgia

Realizada em ambiente hospitalar, pela técnica definida na avaliação — vídeo, robótica ou abdominoplastia tradicional.

04

Pós-operatório

Acompanhamento hospitalar inicial, controle da dor e orientações específicas para os primeiros dias.

05

Retorno

Retomada gradual das atividades, com consultas de seguimento para acompanhar a recuperação.

PERGUNTAS FREQUENTES

Dúvidas comuns sobre a cirurgia de diástase.

Diástase é a mesma coisa que hérnia?+

Não. Na diástase, a linha alba está alargada, mas contínua: os músculos retos se afastam e a parede fica mais fina, sem que exista um orifício. Na hérnia há um ponto de fraqueza real, com rompimento da musculatura e da aponeurose, que abre uma passagem por onde o conteúdo intra-abdominal se desloca de um lugar para outro. As duas coexistem com frequência, porque o mesmo enfraquecimento da linha média favorece o surgimento de ambas — e, quando isso acontece, a correção costuma ser feita no mesmo tempo cirúrgico. A distinção importa porque muda a técnica indicada e também o que o plano de saúde cobre.

Quanto tempo dura a cirurgia?+

Varia conforme a técnica e a extensão da correção — de aproximadamente 1 hora em casos mais simples a 3 horas ou mais quando há reconstrução extensa da parede abdominal ou remoção de pele associada. O tempo exato só é definido após a avaliação individual.

Que tipo de anestesia é utilizada?+

Depende da técnica: procedimentos por vídeo ou robótica costumam ser feitos sob anestesia geral ou raquianestesia associada à sedação; a abdominoplastia tradicional geralmente é feita sob anestesia geral. A avaliação pré-anestésica define o que é mais adequado para cada paciente.

Preciso ficar internado?+

A previsão é de um dia de internação em todas as técnicas: o paciente opera, passa a noite no hospital e recebe alta no dia seguinte. Esse tempo pode variar conforme a extensão da cirurgia e a evolução de cada paciente.

Vou sentir dor após a cirurgia?+

Algum grau de desconforto é esperado e é controlado com analgesia hospitalar e, depois, medicação oral. A intensidade varia de pessoa para pessoa e tende a ser menor nas técnicas minimamente invasivas do que na abdominoplastia tradicional.

Vou precisar de drenos?+

Em algumas técnicas sim, de forma temporária — principalmente quando há remoção de pele associada, como na abdominoplastia. Nas técnicas por vídeo ou robótica, o uso de drenos é menos frequente. A necessidade é avaliada caso a caso.

As cicatrizes serão visíveis?+

Depende da técnica escolhida: SCOLA e MILA/MAMI utilizam pequenas incisões (a MAMI pode aproveitar a cicatriz já existente da cesárea, quando indicado), enquanto a abdominoplastia tradicional deixa uma cicatriz maior na região suprapúbica. Isso é discutido em detalhe na avaliação, considerando o grau da diástase e a presença de excesso de pele.

Vou precisar usar malha ou cinta compressiva?+

Sim, o uso de cinta ou malha compressiva no pós-operatório é comum a praticamente todas as técnicas, para apoiar a parede abdominal durante a cicatrização. O tempo de uso é orientado individualmente.

Quanto tempo fico afastado do trabalho?+

O retorno ao trabalho costuma ocorrer em aproximadamente 15 dias na SCOLA e na MILA, e em aproximadamente 30 dias na MAMI e na abdominoplastia. O prazo depende também do tipo de atividade profissional e da evolução de cada paciente.

Quando posso voltar à atividade física?+

Atividades físicas de impacto ou que envolvam carregar peso costumam ser liberadas em aproximadamente 30 dias na SCOLA e na MILA, e entre 45 e 60 dias na MAMI e na abdominoplastia. A liberação é sempre progressiva, conforme a cicatrização e o acompanhamento da equipe médica.

Quais são os riscos e complicações possíveis?+

Como em qualquer cirurgia da parede abdominal, há riscos descritos na literatura médica, que incluem sangramento, infecção, seroma (acúmulo de líquido), alterações de sensibilidade na região operada e, mais raramente, recidiva da diástase. As taxas variam conforme a técnica e as características de cada paciente, e devem ser discutidas individualmente antes da decisão pela cirurgia.

Existem contraindicações para a cirurgia?+

Sim. Condições clínicas que não permitam anestesia com segurança, obesidade não controlada (que pode ser um fator de contraindicação temporária até adequação do peso) e planejamento de gestação futura próxima são fatores que costumam ser considerados na indicação — cada caso é avaliado individualmente.

A diástase pode voltar depois da cirurgia?+

A recidiva é possível, como em qualquer reconstrução da parede abdominal, principalmente diante de nova gestação, grande oscilação de peso ou esforço físico inadequado no pós-operatório. Os resultados variam conforme fatores individuais, e isso é conversado na avaliação.

A cirurgia de diástase é coberta pelo convênio?+

Existe código de convênio para a diástase, mas apenas para a via aberta. Eu não realizo a cirurgia de diástase por convênio em nenhuma técnica — nem por via minimamente invasiva (vídeo ou robótica), nem por abdominoplastia: é sempre particular. O que é possível fazer é, quando há indicação médica real, funcional e não estética, ou quando há hérnia associada, solicitar ao convênio a cobertura de parte da internação hospitalar e dos materiais cirúrgicos; os honorários da equipe médica seguem sempre particulares. Tudo é combinado e formalizado por escrito antes da cirurgia. Nas demais cirurgias, o que o convênio cobre só é possível dizer depois da avaliação médica do caso.

Você opera pelo SUS?+

Este canal é do meu atendimento do consultório privado. Pelo SUS, o atendimento não passa pelo consultório: o único caminho para ser operado pelo SUS é procurar o posto de saúde ou a Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua residência, ser avaliado por um médico e, havendo indicação, ser inserido na fila de regulação do seu município. O cirurgião não escolhe a ordem de quem vai operar pelo SUS — a fila é seguida rigorosamente, conforme as regras do SUS. Sou professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia e opero pacientes pelo SUS no Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU), mas não é possível agendar seu atendimento direto comigo por estes sites ou contatos.

ONDE OPERAR

Estrutura hospitalar em Uberlândia-MG.

Hospital Mater Dei Santa Genoveva

Av. Vasconcelos Costa, 967 — Bairro Martins, Uberlândia-MG

Abrir no Google Maps →

Hospital UMC

Rua Rafael Marino Neto, 600 — Bairro Jardim Karaíba, Uberlândia-MG

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Conteúdo revisado por Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes — CRM-MG 79366, RQE 60355 (Cirurgia do Aparelho Digestivo), RQE 44656 (Cirurgia Geral). Professor de Cirurgia da FAMED-UFU e Supervisor do Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral do HC-UFU. Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (TCBC). ORCID. Última revisão: setembro/2026.

Referências
  1. Claus CMP, Palmisano E, et al. Minimally invasive lipoabdominoplasty (MILA) tactic. Rev Col Bras Cir. 2024;51:e20243692. doi:10.1590/0100-6991e-20243692-en
  2. Claus CMP, Malcher F, Cavazzola LT, et al. Subcutaneous onlay laparoscopic approach (SCOLA) for ventral hernia and rectus abdominis diastasis repair. Arq Bras Cir Dig. 2018;31(4):e1399. doi:10.1590/0102-672020180001e1399
  3. Morrell AL, Morrell A, Morrell Junior AC, Morrell AC. A paradigm shift in Diastasis Recti surgery: The Bikini-line robotic approach. Rev Col Bras Cir. 2025;52:e20253846. doi:10.1590/0100-6991e-20243846
  4. Hernández-Granados P, Henriksen NA, Berrevoet F, et al. European Hernia Society guidelines on management of rectus diastasis. Br J Surg. 2021;108(10):1189-1191. doi:10.1093/bjs/znab128