Agendar
FISSURA ANAL

Fissura Anal: Tratamento e Cirurgia em Uberlândia-MG

Da pomada à esfincterotomia lateral interna — os degraus do tratamento da fissura, com as taxas de cura e de incontinência publicadas, e uma resposta franca sobre o laser.

Falar sobre fissura anal no WhatsApp
Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes, cirurgião do aparelho digestivo e cirurgia robótica em Uberlândia-MG

Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes

CRM-MG 79366 · RQE 60355 (Cirurgia do Aparelho Digestivo) · RQE 44656 (Cirurgia Geral)

Professor de Cirurgia — FAMED UFU · Certificação em Cirurgia Robótica (Intuitive / Hospital Albert Einstein) · Atende nos Hospitais UMC e Mater Dei Santa Genoveva, Uberlândia-MG · (34) 99341-0915

Agendar Consulta

A fissura anal é uma pequena ferida linear na pele do canal anal, quase sempre na linha média posterior. Causa dor aguda e em queimação durante a evacuação, que pode persistir por minutos ou horas, e um pouco de sangue vivo no papel. O mecanismo é um círculo vicioso: fezes endurecidas ou diarreia provocam o rasgo; a dor faz o esfíncter interno contrair em excesso; a contração reduz o fluxo de sangue na região e impede a cicatrização. Nas fissuras agudas (menos de 6 a 8 semanas), cerca de metade cicatriza apenas com medidas simples; nas crônicas, com bordas endurecidas, plicoma (“pele sobrando”) e papila hipertrofiada, a cicatrização espontânea é rara, e é aí que entram os medicamentos tópicos, a toxina botulínica e a cirurgia.

A diretriz da Sociedade Americana de Cirurgiões de Cólon e Reto (ASCRS 2023) é clara sobre os degraus. Primeiro, medidas conservadoras — fibras, água, banhos de assento — para toda fissura aguda. Depois, pomadas que relaxam o esfíncter: nitratos (eficazes, mas com dor de cabeça em pelo menos 30% dos usuários) ou bloqueadores do canal de cálcio (diltiazem, nifedipina), com eficácia semelhante e melhor perfil de efeitos colaterais, por isso preferidos como primeira linha. A toxina botulínica, injetada no esfíncter, tem resultados semelhantes aos das pomadas como primeira linha e ganho modesto como segunda linha, com 5% de incontinência transitória. Nenhum desses tratamentos cura todos os pacientes: a cicatrização com os tópicos fica em torno de 50%.

Ilustração em corte do canal anal com a fissura anal na entrada do ânus e detalhe ampliado da pequena ferida
Ilustração didáticaA fissura anal é uma pequena ferida na pele da entrada do ânus, abaixo da linha pectínea (detalhe ampliado). A contração do esfíncter interno mantém a ferida aberta e dificulta a cicatrização. O tratamento começa com pomadas e, quando necessário, toxina botulínica; a esfincterotomia lateral interna fica reservada aos casos que não cicatrizam.

Para a fissura crônica que não cicatriza, a esfincterotomia lateral interna é o tratamento de escolha, com recomendação forte baseada em evidência de alta qualidade (grau 1A na ASCRS 2023) — e a diretriz admite oferecê-la como primeira linha em pacientes selecionados que preferem não passar pelas pomadas. A operação é simples: por uma incisão de poucos milímetros na lateral do ânus, divide-se a porção inferior do esfíncter interno, aliviando a pressão que impede a cicatrização. Nos ensaios comparativos citados pela diretriz, a cicatrização fica entre 88% e 100%; a metanálise de 8 ensaios randomizados (1.035 pacientes) encontrou cura em 90,2%, recidiva em 3,7% e algum grau de incontinência — em geral a gases, transitória — em 8,9%. A técnica “sob medida”, que limita a secção ao comprimento da fissura, mantém a cura com menos incontinência.

E o laser? Aqui a resposta precisa ser franca, porque o paciente chega perguntando. Diferentemente das hemorroidas e da fístula, não existe ensaio clínico, metanálise ou diretriz sobre laser para fissura anal: a literatura se resume a relatos de caso e pequenas séries sem grupo de comparação, e em várias delas o laser é apenas o instrumento de corte usado para fazer a própria esfincterotomia. O Dr. Solon Gonçalves trata a fissura seguindo os degraus da diretriz, nos Hospitais UMC e Mater Dei Santa Genoveva, em Uberlândia-MG, e usa a tecnologia de energia como ferramenta quando ela ajuda — sem apresentá-la como alternativa à esfincterotomia, porque a evidência ainda não permite.

Agendar uma avaliação
OS DEGRAUS DO TRATAMENTO

O que fazer em cada fase da fissura.

A sequência segue a diretriz ASCRS 2023. O exame proctológico, feito com delicadeza por causa da dor, confirma o diagnóstico e afasta outras causas de ferida anal — doença de Crohn, infecções e tumores — especialmente quando a fissura está fora da linha média.

01

Fissura aguda

Fibras, água, laxantes suaves e banhos de assento com água morna: cerca de metade cicatriza apenas com isso. Pomadas anestésicas aliviam a dor por tempo limitado.

02

Fissura crônica — 1ª linha

Pomada de bloqueador do canal de cálcio (diltiazem ou nifedipina), aplicada por 6 a 8 semanas; nitratos são alternativa com mais dor de cabeça. Cicatrização em torno de 50%.

03

Fissura crônica — 2ª linha

Toxina botulínica injetada no esfíncter interno, em consultório ou hospital-dia: ganho modesto após falha das pomadas; incontinência transitória em cerca de 5%; o efeito dura alguns meses, tempo em que a fissura pode cicatrizar.

04

Fissura crônica refratária — cirurgia

Esfincterotomia lateral interna: cura em 88% a 100%, com 8% a 30% de algum grau de incontinência nos estudos comparativos (8,9% na metanálise de ensaios randomizados). Em pacientes com risco de incontinência — lesão obstétrica, cirurgia anal prévia —, o retalho de avanço anocutâneo é a alternativa que poupa o esfíncter.

COMPARAÇÃO

Pomada, toxina botulínica, esfincterotomia e laser, lado a lado.

A tabela resume o que a diretriz ASCRS 2023 e as metanálises publicaram para cada opção. A coluna do laser está vazia de números porque, até 2026, não há estudo comparativo que os forneça.

AspectoPomadas (nitrato / bloqueador de cálcio)Toxina botulínicaEsfincterotomia lateral internaLaser
Grau de recomendação (ASCRS 2023)1B1B1A — tratamento de escolhaNão consta da diretriz
CicatrizaçãoCerca de 50%Semelhante às pomadas; ganho modesto como 2ª linha88% a 100% (90,2% na metanálise de ensaios)Sem ensaio comparativo; relatos de caso e séries sem controle
RecidivaFrequente ao suspenderComum após o fim do efeito3,7% na metanáliseDesconhecida
IncontinênciaNenhumaTransitória em ~5%8,9% na metanálise (em geral a gases, transitória); menor com técnica sob medidaDesconhecida
Efeitos colateraisDor de cabeça (nitratos, ≥30%); irritação localDor na injeção; incontinência temporáriaDor leve, sangramento, infecção (raros)Desconhecidos
Onde é feitoEm casaConsultório / hospital-diaHospital-dia, anestesia local com sedação ou raquidiana—

No celular, arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.

Fontes: Davids et al., Dis Colon Rectum 2023 (ASCRS); Asefa & Awedew, Sci Rep 2023; Bonyad et al., Langenbecks Arch Surg 2024 (esfincterotomia supera a toxina em cicatrização em 18 ensaios); Sahebally et al., Int J Surg 2018 (retalho anocutâneo com muito menos incontinência que a esfincterotomia, cura semelhante); Elfallal et al., Lasers Med Sci 2022.
PREPARO E RECUPERAÇÃO

O que esperar antes e depois da cirurgia.

Preparo pré-operatório

O exame proctológico é feito com cuidado, muitas vezes sem toque retal na primeira consulta por causa da dor. Para a esfincterotomia, pedem-se exames de sangue e avaliação anestésica; em mulheres com história de parto com lesão perineal e em pacientes com cirurgia anal prévia, a avaliação da função do esfíncter (às vezes com ultrassonografia endoanal ou manometria) é importante para decidir entre a esfincterotomia e o retalho. Orienta-se jejum e limpeza intestinal simples. A toxina botulínica e as pomadas não exigem preparo especial.

Recuperação e pós-operatório

A esfincterotomia é feita em regime de hospital-dia. A dor da fissura costuma melhorar já nos primeiros dias, porque a pressão do esfíncter cai; a pequena incisão cicatriza em uma a duas semanas. Banhos de assento, analgésicos simples e fezes macias (fibras, água, laxante suave) são a base da recuperação. Pode haver escape de gases ou pequena sujidade nas primeiras semanas, em geral transitórios. Trabalho sem esforço é retomado em poucos dias. Manter o intestino regulado por toda a vida é a melhor prevenção de recidiva.

RISCOS E COMPLICAÇÕES

Incontinência, recidiva e outros riscos, com os números.

O principal risco da cirurgia da fissura é a alteração da continência, por isso a indicação é criteriosa e a técnica, econômica. Os números vêm da diretriz ASCRS 2023 e da metanálise de ensaios randomizados.

  • Incontinência após esfincterotomia — algum grau (quase sempre a gases, transitório) em 8,9% na metanálise de 8 ensaios; os estudos comparativos citados pela diretriz relatam de 8% a 30% conforme o tempo de seguimento. A técnica sob medida reduz esse risco (1,4% de incontinência a gases em uma série de 287 pacientes). A técnica fechada tende a menos incontinência que a aberta.
  • Recidiva da fissura — 3,7% após esfincterotomia na metanálise; frequente após pomadas e toxina quando o hábito intestinal não é corrigido.
  • Incontinência transitória após toxina botulínica — cerca de 5%, com recuperação em semanas.
  • Dor de cabeça com nitratos — em pelo menos 30% dos usuários, levando à suspensão em até 20%.
  • Sangramento, infecção, abscesso ou fístula — raros após a esfincterotomia.
  • Laser — sem dados comparativos publicados; riscos não quantificados.
PERGUNTAS FREQUENTES

Dúvidas comuns sobre esse procedimento.

Fissura anal tem cura?+

Sim. As agudas cicatrizam, em cerca de metade dos casos, só com fibras, água e banhos de assento. As crônicas respondem às pomadas em torno de 50% das vezes e, quando não cicatrizam, a esfincterotomia lateral interna cura 88% a 100% dos pacientes nos estudos, com recidiva de cerca de 4%.

Qual a melhor pomada para fissura? Pomada resolve?+

As pomadas que relaxam o esfíncter — diltiazem ou nifedipina (bloqueadores do canal de cálcio) e, como alternativa, nitratos — cicatrizam cerca de metade das fissuras crônicas em 6 a 8 semanas. Pomadas anestésicas e com corticoide aliviam a dor, mas não tratam a causa. O uso deve ser orientado pelo médico, porque os nitratos causam dor de cabeça em pelo menos 30% dos usuários.

Fissura no ânus: o que fazer para aliviar a dor?+

Banhos de assento com água morna por 10 a 15 minutos, várias vezes ao dia; fezes macias com fibras, água e laxante suave; analgésicos simples; e a pomada relaxante do esfíncter prescrita. Evitar papel higiênico áspero e segurar a evacuação piora o ciclo de dor e contração.

Esfincterotomia ou toxina botulínica (botox)?+

A esfincterotomia cicatriza mais fissuras: uma metanálise de 18 ensaios randomizados (1.839 pacientes) mostrou cura significativamente maior com a cirurgia. A toxina tem a vantagem de não cortar o músculo e de ter efeito temporário, com cerca de 5% de incontinência transitória, e é uma boa opção para quem tem risco de incontinência ou prefere evitar a cirurgia — sabendo que a chance de cura é menor.

A cirurgia de fissura causa incontinência?+

É o principal risco e por isso a indicação é criteriosa. Na metanálise de ensaios randomizados, 8,9% tiveram algum grau de incontinência — quase sempre a gases e transitória; os estudos comparativos relatam de 8% a 30% conforme o seguimento. A técnica sob medida, limitada ao comprimento da fissura, reduz esse risco (1,4% em uma série), e pacientes com risco aumentado — lesão obstétrica, cirurgia anal prévia — são orientados ao retalho de avanço, que poupa o esfíncter.

Existe cirurgia de fissura a laser? É melhor?+

Não há evidência que sustente o laser como alternativa à esfincterotomia na fissura anal: até 2026 não existe nenhum ensaio clínico, metanálise ou diretriz sobre o tema — apenas relatos de caso e séries pequenas sem comparação, e em várias delas o laser é só o instrumento usado para fazer a própria esfincterotomia. Promessas de ‘fissura a laser sem cortar o músculo’ não têm base publicada.

A cirurgia de fissura dói? Como é a recuperação?+

A esfincterotomia é feita em hospital-dia, com anestesia local e sedação ou raquidiana. A dor da fissura costuma melhorar já nos primeiros dias, porque a pressão do esfíncter cai. A incisão é de poucos milímetros e cicatriza em uma a duas semanas; banhos de assento e fezes macias completam a recuperação. O retorno ao trabalho leva poucos dias.

Fissura anal coça? Por que sangra?+

A coceira vem da umidade e da irritação da pele ao redor da ferida, e o sangue vivo no papel vem da própria fissura, que se rompe a cada evacuação. Sangramento maior, com coágulos, ou ferida fora da linha média exigem avaliação, porque podem indicar outra doença.

Fissura crônica: quando operar?+

Quando a fissura persiste depois do tratamento com pomadas (e, se escolhida, da toxina botulínica), ou quando o paciente, bem informado, prefere a esfincterotomia como primeira linha — opção que a diretriz ASCRS 2023 admite em pacientes selecionados, sem risco prévio de incontinência.

Como evitar que a fissura volte?+

Mantendo as fezes macias e o hábito intestinal regular, para sempre: fibras (25 a 30 g por dia), água, atividade física e não adiar a evacuação. É a medida que mais pesa em todas as fases do tratamento.

Você opera pelo SUS?+

Faço cirurgias pelo SUS. Sou professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia e opero pacientes no Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU). O caminho, porém, não passa pelo meu consultório: para ser operado pelo SUS é preciso procurar o posto de saúde ou a Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua residência, ser avaliado por um médico e, havendo indicação cirúrgica, ser inserido na fila de regulação do seu município. O cirurgião não escolhe quem vai operar pelo SUS — a fila é seguida rigorosamente, conforme as regras do SUS.

ONDE OPERAR

Estrutura hospitalar em Uberlândia-MG.

Hospital Mater Dei Santa Genoveva

Av. Vasconcelos Costa, 967 — Bairro Martins, Uberlândia-MG

Abrir no Google Maps →

Hospital UMC

Rua Rafael Marino Neto, 600 — Bairro Jardim Karaíba, Uberlândia-MG

Abrir no Google Maps →

Deseja agendar sua avaliação?

Fale agora com a equipe do Dr. Solon Gonçalves pelo WhatsApp e agende sua consulta.

Agendar Consulta

Conteúdo revisado por Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes — CRM-MG 79366, RQE 60355 (Cirurgia do Aparelho Digestivo), RQE 44656 (Cirurgia Geral). Professor de Cirurgia da FAMED-UFU e Supervisor do Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral do HC-UFU. ORCID. Última revisão: outubro/2026.

Referências
  1. Davids JS, Hawkins AT, Bhama AR, et al. The American Society of Colon and Rectal Surgeons Clinical Practice Guidelines for the Management of Anal Fissures. Dis Colon Rectum. 2023;66(2):190-199. doi:10.1097/DCR.0000000000002664
  2. Asefa Z, Awedew AF. Comparing closed versus open lateral internal sphincterotomy for management of chronic anal fissure: systematic review and meta-analysis of randomised control trials. Sci Rep. 2023;13(1):20957. doi:10.1038/s41598-023-48286-z
  3. Bonyad A, Zadeh RH, Asgari S, et al. Botulinum toxin injection versus lateral internal sphincterotomy for chronic anal fissure: a meta-analysis of randomized control trials. Langenbecks Arch Surg. 2024;409(1):355. doi:10.1007/s00423-024-03484-9
  4. Sahebally SM, Walsh SR, Mahmood W, et al. Anal advancement flap versus lateral internal sphincterotomy for chronic anal fissure — a systematic review and meta-analysis. Int J Surg. 2018;49:16-21. doi:10.1016/j.ijsu.2017.12.002
  5. Elfallal AH, Fathy M, Elbaz SA, et al. Comprehensive literature review of the applications of surgical laser in benign anal conditions. Lasers Med Sci. 2022;37(7):2775-2789. doi:10.1007/s10103-022-03577-1