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HÉRNIA DE HIATO

Cirurgia de Hérnia de Hiato em Uberlândia-MG

Correção da hérnia de hiato com hiatoplastia e fundoplicatura, por videolaparoscopia ou cirurgia robótica — e a resposta honesta para a pergunta “toda hérnia de hiato precisa operar?”.

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Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes, cirurgião do aparelho digestivo e cirurgia robótica em Uberlândia-MG

Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes

CRM-MG 79366 · RQE 60355 (Cirurgia do Aparelho Digestivo) · RQE 44656 (Cirurgia Geral)

Professor de Cirurgia — FAMED UFU · Certificação em Cirurgia Robótica (Intuitive / Hospital Albert Einstein) · Atende nos Hospitais UMC e Mater Dei Santa Genoveva, Uberlândia-MG · (34) 99341-0915

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O hiato é a abertura do diafragma por onde o esôfago passa do tórax para o abdome. Quando essa abertura se alarga, parte do estômago sobe para o tórax: é a hérnia de hiato. No tipo mais comum, a hérnia por deslizamento (tipo I), a junção entre esôfago e estômago desliza para cima; ela costuma ser pequena, muitas vezes é um achado de endoscopia e está ligada ao refluxo gastroesofágico. Nas hérnias paraesofágicas (tipos II a IV), o fundo do estômago — e às vezes outros órgãos — sobe ao lado do esôfago; são menos frequentes, tendem a ser maiores e trazem um risco mecânico próprio: encarceramento e torção do estômago (volvo gástrico).

A primeira coisa a dizer a quem recebeu esse diagnóstico é que a maioria das hérnias de hiato não precisa de cirurgia. A hérnia pequena de deslizamento, sem sintomas ou com refluxo bem controlado por medicação, é tratada clinicamente. A cirurgia é indicada quando há refluxo comprovado que não se controla (a diretriz ACG 2022 cita especificamente as “hérnias de hiato grandes” entre as indicações de cirurgia antirrefluxo), quando a hérnia paraesofágica causa sintomas — dor ou peso no peito depois de comer, saciedade precoce, falta de ar, anemia por pequenas erosões na mucosa — ou quando há sinais de obstrução. A diretriz SAGES 2024 orienta ainda a verificar se a hérnia é mesmo assintomática, porque anemia, dispneia e dor torácica muitas vezes são atribuídas a outras causas.

Ilustração da hérnia de hiato: parte do estômago acima do diafragma, dentro do tórax
Ilustração didáticaNa hérnia de hiato, parte do estômago (em vermelho) sobe pelo hiato — a abertura do diafragma por onde passa o esôfago — e fica dentro do tórax. Isso favorece o refluxo e, nas hérnias maiores, pode comprimir o estômago. Na cirurgia, o estômago é reposicionado no abdome, o hiato é fechado (hiatoplastia) e uma fundoplicatura é associada, por videolaparoscopia ou robótica.

A correção é feita por via minimamente invasiva, com cinco pequenas incisões: o estômago é trazido de volta ao abdome, o saco herniário é retirado, o hiato é fechado com pontos (hiatoplastia) e, na grande maioria dos casos, acrescenta-se uma fundoplicatura — a volta do fundo gástrico ao redor do esôfago — para evitar o refluxo e ajudar a manter o estômago no lugar. A SAGES 2024 recomenda realizar a fundoplicatura rotineiramente nesse reparo: nos ensaios clínicos, ela reduziu o refluxo objetivo em cerca de 70% (risco relativo 0,31), ao custo de mais disfagia no início. O uso de tela de reforço no hiato não tem recomendação a favor nem contra: nos ensaios randomizados, a tela não reduziu a recidiva.

O Dr. Solon Gonçalves realiza a correção de hérnia de hiato por videolaparoscopia e por cirurgia robótica, nos Hospitais UMC e Mater Dei Santa Genoveva, em Uberlândia-MG. As metanálises publicadas entre 2023 e 2026, que somam centenas de milhares de pacientes, não encontraram diferença em mortalidade, conversão, recidiva, internação ou readmissão entre as duas vias; a videolaparoscopia tem tempo operatório um pouco menor (cerca de 15 minutos) e custo menor, enquanto alguns estudos observacionais sugerem menos complicações intraoperatórias com o robô. Nas hérnias paraesofágicas grandes, em que a dissecção dentro do tórax é longa e delicada, a visão 3D e os instrumentos articulados da robótica são particularmente úteis — a escolha é feita caso a caso, com o paciente.

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QUANDO OPERAR

Quem tem indicação de cirurgia de hérnia de hiato.

A indicação depende do tipo de hérnia, dos sintomas e da comprovação objetiva do refluxo. Endoscopia, radiografia contrastada do esôfago, manometria e, em casos selecionados, pHmetria e tomografia fazem parte da avaliação.

01

Refluxo que não se controla

Hérnia de hiato com refluxo comprovado e sintomas persistentes apesar da medicação, esofagite grave ou regurgitação importante: a correção da hérnia com fundoplicatura é indicação de cirurgia antirrefluxo (ACG 2022).

02

Hérnia paraesofágica com sintomas

Dor ou pressão no peito após as refeições, saciedade precoce, vômitos, falta de ar ou anemia por erosões da mucosa: indicam correção, pelo risco de encarceramento e volvo gástrico.

03

Obstrução ou encarceramento

Dor intensa, vômitos sem conseguir eliminar e impossibilidade de passar sonda são sinais de urgência — a hérnia encarcerada precisa de cirurgia imediata.

04

Hérnia sem sintomas

Em hérnias verdadeiramente assintomáticas não há estudos comparando cirurgia e observação; a SAGES 2024 considera razoável a observação vigilante quando a investigação é negativa e o paciente compreende o risco de volvo. A idade, por si só, não contraindica a cirurgia.

COMO É FEITA

Videolaparoscopia e robótica na hérnia de hiato: o que a evidência mostra.

Os passos da operação são os mesmos nas duas vias — redução do estômago, retirada do saco herniário, hiatoplastia e fundoplicatura. A tabela reúne os resultados das metanálises comparativas mais recentes.

DesfechoVideolaparoscopiaCirurgia robótica
Mortalidade, conversão, recidiva, internação e readmissãoSem diferença (13 estudos, 205 mil pacientes, Hernia 2025)Sem diferença
Complicações pós-operatóriasSem diferença na maior metanálise (38 estudos, 550 mil pacientes, RR 0,85)Um estudo observacional sugere menos complicações (OR 0,52)
Complicações durante a cirurgia—Menos em uma metanálise de 11 estudos (OR 0,41), sem diferença nas complicações graves
Tempo de cirurgiaCerca de 15 a 20 minutos menorMaior
CustoMenorCerca de US$ 3 mil a mais por caso
Hérnias paraesofágicasSem superioridade demonstrada de nenhuma via (10 estudos, 186 mil pacientes)Visão 3D e instrumentos articulados úteis na dissecção mediastinal

No celular, arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.

Fontes: AlFataftah et al., Hernia 2025; Xiao et al., Hernia 2026; Mathys et al., Acta Chir Belg 2026; Symeonidou et al., J Minim Invasive Surg 2023; Gonçalves-Costa et al., Langenbecks Arch Surg 2024. Quase toda a evidência é observacional; nenhuma dessas diferenças pode ser prometida a um paciente individual.
PREPARO E RECUPERAÇÃO

O que esperar antes e depois da cirurgia.

Preparo pré-operatório

A avaliação inclui endoscopia digestiva alta, radiografia contrastada do esôfago (que mostra o tamanho e o tipo da hérnia), manometria esofágica — que orienta a escolha entre fundoplicatura total e parcial — e, quando o refluxo ainda não está documentado, pHmetria sem medicação. Tomografia é útil em hérnias grandes. Exames de sangue, avaliação cardiológica em pacientes mais idosos e avaliação anestésica completam o preparo; orienta-se jejum, suspensão de anticoagulantes conforme orientação e interrupção do tabagismo.

Recuperação e pós-operatório

A internação costuma ser de 1 a 3 dias, mais longa nas hérnias paraesofágicas grandes. A dieta começa líquida e evolui para pastosa e sólida ao longo de algumas semanas; dificuldade para engolir no início é esperada e tende a melhorar. Dor nos ombros pelo gás e desconforto no peito nos primeiros dias são comuns. Trabalho sem esforço é retomado em 1 a 2 semanas; esforço físico e levantamento de peso, em geral após 4 a 6 semanas, para proteger o reparo do hiato. O seguimento é importante: parte das hérnias grandes recidiva anatomicamente ao longo dos anos, mesmo quando os sintomas continuam controlados.

RISCOS E COMPLICAÇÕES

Riscos e recidiva, com os números publicados.

Além dos riscos de qualquer cirurgia abdominal, a correção da hérnia de hiato tem dois pontos que o paciente precisa conhecer: a disfagia das primeiras semanas e a possibilidade de recidiva anatômica a longo prazo.

  • Recidiva da hérnia — nas hérnias paraesofágicas grandes, o seguimento de longo prazo de um ensaio randomizado (mediana de 58 meses) encontrou recidiva radiológica em 54% a 59% dos pacientes; apesar disso, o alívio dos sintomas e a melhora da qualidade de vida foram duradouros, e poucas recidivas precisam de nova cirurgia. Em hérnias pequenas a recidiva é bem menos frequente.
  • Disfagia — frequente e transitória nas primeiras semanas; a fundoplicatura associada aumenta a disfagia precoce (risco relativo 2,08 nos estudos observacionais), em troca de muito menos refluxo.
  • Distensão e dificuldade para arrotar — efeitos da nova válvula, menores com a fundoplicatura parcial.
  • Complicações cirúrgicas — perfuração do esôfago ou do estômago, sangramento, lesão do baço ou da pleura (pneumotórax) durante a dissecção no tórax: raras, mais prováveis em hérnias grandes e em reoperações.
  • Tela de reforço — quando usada, há risco raro de erosão; nos ensaios randomizados não houve erosão em 270 pacientes, mas também não houve redução da recidiva — por isso não é usada de rotina.
  • Riscos gerais — anestesia, trombose venosa e infecção, com baixa frequência.
PERGUNTAS FREQUENTES

Dúvidas comuns sobre esse procedimento.

Toda hérnia de hiato precisa de cirurgia?+

Não. A maioria é pequena, de deslizamento, e é tratada clinicamente — com medicação para o refluxo e mudanças de hábito. A cirurgia é indicada quando o refluxo não se controla apesar do tratamento, quando a hérnia é paraesofágica e causa sintomas, ou quando há sinais de obstrução. Hérnias sem sintomas podem ser observadas, desde que a investigação confirme que são mesmo assintomáticas.

Hérnia de hiato tem cura? Pode sumir sozinha?+

A hérnia não desaparece sozinha, porque o hiato alargado não se fecha espontaneamente; o que pode ser controlado são os sintomas. A cirurgia corrige a hérnia, mas, nas hérnias grandes, parte delas recidiva anatomicamente com o passar dos anos — mesmo assim, o alívio dos sintomas costuma ser duradouro.

Hérnia de hiato pode virar câncer?+

A hérnia de hiato em si não é câncer nem se transforma em câncer. O que merece atenção é o refluxo crônico que a acompanha: ele pode causar esofagite e esôfago de Barrett, condição que aumenta o risco de câncer de esôfago e precisa de acompanhamento endoscópico. Controlar o refluxo — com remédio ou cirurgia — é a forma de proteger o esôfago.

O que acontece se não tratar a hérnia de hiato?+

Depende do tipo. Na hérnia de deslizamento, o problema é o refluxo não tratado, com esofagite e suas consequências. Na paraesofágica, o estômago herniado pode encarcerar ou torcer (volvo gástrico), uma emergência cirúrgica — por isso as paraesofágicas sintomáticas são operadas de forma eletiva, antes que isso aconteça.

Qual o risco da cirurgia de hérnia de hiato?+

É uma cirurgia segura por via minimamente invasiva, com mortalidade muito baixa e complicações maiores raras. Os pontos mais frequentes são a disfagia transitória e a distensão abdominal, e, a longo prazo, a recidiva anatômica nas hérnias grandes. Os números estão na seção de riscos desta página.

Como fica o estômago depois da cirurgia?+

O estômago volta para o abdome e passa a ficar abaixo do diafragma; o hiato é fechado com pontos e o fundo gástrico forma uma válvula ao redor do esôfago. A capacidade do estômago não muda, mas nas primeiras semanas a válvula está inchada, por isso a dieta é progressiva.

A cirurgia de hérnia de hiato emagrece?+

Não é esse o objetivo. Pode haver perda de peso temporária por causa da dieta líquida e pastosa das primeiras semanas, que se estabiliza depois. Em pacientes com obesidade, a cirurgia indicada pode ser o bypass gástrico, que trata o refluxo, a hérnia e o excesso de peso ao mesmo tempo.

Quanto tempo leva a cirurgia e a internação?+

Entre uma e três horas, conforme o tamanho da hérnia, sob anestesia geral; a internação é de 1 a 3 dias. Hérnias paraesofágicas grandes exigem dissecção mais longa dentro do tórax.

Quanto tempo de recuperação e de atestado?+

Trabalho sem esforço físico em 1 a 2 semanas; esforço e levantamento de peso após 4 a 6 semanas. A dieta progressiva nas primeiras semanas é parte do tratamento. O atestado é definido individualmente.

A cirurgia é a laser? É por vídeo ou robótica?+

Não existe cirurgia de hérnia de hiato a laser. A correção é feita por videolaparoscopia ou com o robô cirúrgico, pelas mesmas cinco pequenas incisões; as duas vias têm resultados equivalentes nas metanálises, e a robótica é escolhida em casos selecionados, como hérnias grandes e reoperações.

Precisa colocar tela na hérnia de hiato?+

Não de rotina. A diretriz SAGES 2024 não recomenda a favor nem contra: nos ensaios randomizados a tela não reduziu a recidiva, embora estudos observacionais sugiram algum benefício. Ela pode ser considerada em hérnias muito grandes ou recidivadas, caso a caso.

Você opera pelo SUS?+

Faço cirurgias pelo SUS. Sou professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia e opero pacientes no Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU). O caminho, porém, não passa pelo meu consultório: para ser operado pelo SUS é preciso procurar o posto de saúde ou a Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua residência, ser avaliado por um médico e, havendo indicação cirúrgica, ser inserido na fila de regulação do seu município. O cirurgião não escolhe quem vai operar pelo SUS — a fila é seguida rigorosamente, conforme as regras do SUS.

ONDE OPERAR

Estrutura hospitalar em Uberlândia-MG.

Hospital Mater Dei Santa Genoveva

Av. Vasconcelos Costa, 967 — Bairro Martins, Uberlândia-MG

Abrir no Google Maps →

Hospital UMC

Rua Rafael Marino Neto, 600 — Bairro Jardim Karaíba, Uberlândia-MG

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Conteúdo revisado por Dr. Solon Gonçalves Souza Menezes — CRM-MG 79366, RQE 60355 (Cirurgia do Aparelho Digestivo), RQE 44656 (Cirurgia Geral). Professor de Cirurgia da FAMED-UFU e Supervisor do Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral do HC-UFU. ORCID. Última revisão: outubro/2026.

Referências
  1. Daly S, Kumar SS, Collings AT, et al. SAGES guidelines for the surgical treatment of hiatal hernias. Surg Endosc. 2024;38(9):4765-4775. doi:10.1007/s00464-024-11092-3
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  3. Katz PO, Dunbar KB, Schnoll-Sussman FH, et al. ACG Clinical Guideline for the Diagnosis and Management of Gastroesophageal Reflux Disease. Am J Gastroenterol. 2022;117(1):27-56. doi:10.14309/ajg.0000000000001538
  4. Oelschlager BK, Pellegrini CA, Hunter JG, et al. Biologic prosthesis to prevent recurrence after laparoscopic paraesophageal hernia repair: long-term follow-up from a multicenter, prospective, randomized trial. J Am Coll Surg. 2011;213(4):461-468. doi:10.1016/j.jamcollsurg.2011.05.017
  5. AlFataftah S, Hammadeh BM, Yaghi G, et al. Safety and efficacy of robotic versus laparoscopic hiatal hernia repair: a systematic review and meta-analysis of perioperative outcomes. Hernia. 2025;29(1):305. doi:10.1007/s10029-025-03484-8
  6. Xiao X, Zhang C, Li H, et al. Robotic-assisted versus laparoscopic esophageal hiatal hernia and anti-reflux surgery: a comprehensive systematic review and meta-analysis. Hernia. 2026;30(1). doi:10.1007/s10029-026-03770-z
  7. Mathys A, Vanommeslaeghe H, Van Nieuwenhove Y, et al. A systematic review and meta-analysis: robotic versus laparoscopic hiatal hernia repair, is there a difference in Clavien Dindo score? Acta Chir Belg. 2026;126(2):33-42. doi:10.1080/00015458.2025.2611452
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  9. Gonçalves-Costa D, Barbosa JP, Quesado R, et al. Robotic surgery versus laparoscopic surgery for anti-reflux and hiatal hernia surgery: a short-term outcomes and cost systematic literature review and meta-analysis. Langenbecks Arch Surg. 2024;409(1):175. doi:10.1007/s00423-024-03368-y